sábado, janeiro 16, 2016
Queijos - Camembert AOC- Normandia - França
O famosíssimo Camembert é da Normandia.
É talvez o queijo francês com mais "tipos" no mundo.
Por acaso os japoneses fazem um muito bom (e alguns brasileiros também).
Mas o Camembert da Normandia tem uma AOC (apelação de origem controlada) desde 1983, que precisa ser reconhecida fora da Europa para que as imitações terminem, mas isso não é fácil de acontecer.
Se formos falar de terroir, a Normandia tem temperatura amena e chove muito.
Fica no norte da França.
Justamente a umidade da chuva e o sol que parece luz de geladeira (ilumina mas não aquece muito), fazem crescer o capim bastante verde que alimenta as vacas típicas da Normandia.
O leite é de excelente qualidade, por isso a manteiga da Normandia também conquistou fama.
Por isso também, outros queijos como o Pont l'Evêque e o Livarot são mundialmente conhecidos.
São necessários 2,3 litros de leite para a produção de apenas um Camembert de 250 gramas.
Para se produzir o queijo, se leva 2 dias.
O queijo fica pronto para o consumo, depois de 2 semanas amadurecendo no produtor.
O queijo teria sido criado em 1791 por Marie Harel.
O queijo deve ser feito com leite cru.
O sabor é frutado, com aromas de cogumelos e bolor.
sexta-feira, janeiro 15, 2016
Visitei o tradicional restaurante Shirley, no Leme.
Esse restaurante abriu as portas em 1954.
Antes da Bossa Nova invadir o Leme e Copacabana, com João Gilberto, Tom Jobim, Vinicius de Morais...
É um patrimônio do bairro.
Porque não um patrimônio da cidade do Rio de Janeiro?
É realmente tradicional, serve pratos tradicionais da cozinha espanhola com muita competência.
Logo na entrada os frutos do mar na vitrine dão um toque ibérico.
O restaurante é pequeno, simples, com paredes de madeira e garçons vestidos de branco com gravata preta, como se estivéssemos no ano de inauguração do restaurante.
Os garçons parecem funcionários antigos também.
Com tudo de bom e ruim que pode vir junto.
No meu caso o garçon só perguntou o que eu gostaria de beber depois que o prato chegou.
Só foi imediatamente desculpado pela qualidade da Paella Marinera que me serviu.
Quando se pede um prato com receita tradicional é inevitável que se compare com os outros que já comeu e no caso do restaurante Shirley, a comparação com certeza é interessante.
Paella deliciosa.
Tempero, ponto do arroz, ponto do camarão, do polvo, da lula...
Tudo no ponto certo de cozimento.
Os preços são o que se pode esperar levando em conta o valor dos ingredientes e a qualidade dos pratos.
A paella para duas pessoas custa 167 reais, no meu caso serviram meia porção, o que foi até mais do que o suficiente.
Muito bem servido.
O Shirley merece a fama e mantém a tradição.
Excelente!!!
Que venham mais 60 anos!!!
quinta-feira, janeiro 14, 2016
28 anos depois a vida continuou... Com o Marques de Riscal 1988 - Conto
Era um restaurante pequeno, daqueles com um estilo que só o Rio de Janeiro tem.
Se bem que os peixes na vitrine tinham algo de ibérico que funcionava muito bem.
O clima era esse quando um jovem senhor entrou com uma mala preta, pequena.
Perguntou logo para o garçom se podia se sentar naquela mesa.
Sentou justamente na mesa ao lado da minha.
Eu, sozinho prestava atenção em tudo.
É incrível como a solidão, mesmo que momentânea, aguça a curiosidade.
É como o cego que tem um nariz e um ouvido incrível.
O solitário tem uma percepção assustadora.
Ele parecia esperar alguém com uma ansiedade que atravessava os limites do seu corpo.
Olhava o relógio, é claro.
Nem água pediu.
Depois de 3 ou 4 olhadas no relógio ela chegou.
Tinha quase a mesma idade que ele.
Ele de cabelos brancos, corpo franzino, olhar amigável e sorriso simpático.
Parecia bonito por dentro.
Por fora era magro, estava em forma, não era de se jogar fora.
Ela era um pouco mais jovem.
Talvez, no máximo, 5 anos mais jovem.
Mas sabe como são as mulheres...
Ela tinha o corpo de um a mulher de 50 anos, mas cabelos brancos não tinha.
Rugas, nem pensar.
Pra que existem tantos cremes.
O abraço foi longo.
Talvez como a espera.
Ela tinha uns quilinhos a mais, mas poucos.
O rosto sim era um pouco bochechudo.
Ele não via nada disso.
Pela expressão no rosto, ele via a Garota de Ipanema.
Embora estivéssemos no Leme.
Meus ouvidos se aguçaram como se eu fosse ganhar sozinho na Mega Sena se descobrisse algo.
Não foi preciso.
Ela tinha o tom de voz alto.
Facilitou tudo.
-Você esta muito bem.
Ele respondeu prontamente: "definitivamente o tempo não passou pra você..."
O garçom, já um senhor apareceu para cortar a troca de elogios.
-Ja querem escolher?
Ela não escondia nada: "Faz 28 anos que nos despedimos neste lugar, estamos nos reencontrando aqui. Quero o mesmo prato que pedimos naquele dia.
-O que pediram?
Ele respondeu: lula.
-Não... Disse ela.
-Era polvo. Qual prato de polvo vocês têm?
O garçom se permitiu a uma observação: "Estou aqui a 35 anos. O polvo é o mesmo. Acho que me lembro vagamente de vocês.
Na verdade me lembro bem.
Teve uma tarde em que dois clientes saíram daqui aos prantos porque a moça teria resolvido se casar.
Naquela noite não consegui dormir com aquele pensamento.
Lembrava do rosto do rapaz com as lágrimas que não paravam de correr.
Lembrava da forma como ele disse quase sem voz: Te espero pela eternidade..."
Neste momento quase não me aguentava, e cheguei a virar a cadeira.
Vi o rosto dos dois com atenção e olhos fixos para o garçom.
As lágrimas corriam dos olhos dele, dela, meus....
O garçom seguia firme.
Terminou a história dizendo que se fosse eles teria ganho o dia, o mes, os anos que passou lembrando daquela despedida.
Ela não media palavras: "Era eu... Me casei... Separei... Sofri... Estamos nos reencontrando depois de 28 anos...
Queremos o mesmo prato, o mesmo vinho, começar de onde paramos..."
Veio o polvo com um molho de tomate, e o jovem senhor tirou da mala (que também tinha roupas) um Marques de Riscal 1988.
Os dois seguiram sem palavras...
Eu precisava ir embora mas esperei até ouvir o suficiente.
-Te amo, sempre te amei e sempre vou te amar...
Ela ouviu e deixou que as lágrimas corressem, enxugou um pouco, deu um longo beijo na boca do grande amor (Acho que se chamava Alfredo) e eu me levantei.
Antes de sair ainda vi o brinde com o vinho da idade da despedida, marcando o reencontro.
Fui embora guardando essa história.
Pelo menos sei que teve final feliz.
Tarde.
Mas feliz...
quarta-feira, janeiro 13, 2016
Confira o calendário do Encontro de Vinhos em 2016
3 de Março - Rio de Janeiro
2 de Abril - São Paulo
16 de Julho - Campinas
6 de Agosto - Belo Horizonte
9 de Outubro - Campinas
11 de Novembro - São José dos Campos
Dia 3 de Março tem Encontro de Vinhos Rio de Janeiro
O ano do Encontro de Vinhos sempre começa com o Rio de Janeiro.
Em 2016, a feira será no Hotel Windsor Guanabara, na Avenida Presidente Vargas, 932 - Centro.
O horário é o mesmo, das 14 às 22 horas.
Os ingressos já estão à venda no site do Encontro de Vinhos, com aquele desconto para quem compra com antecedência: http://www.encontrodevinhos.com.br/comprar-ingresso/
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