segunda-feira, dezembro 21, 2015

Alquimista, Natureba, Criativo, Competente... Conheci o Bistrô Au Vin Cave à Manger, com a comida do chef Patrick Bragato... Em Sampa


É nesse lugar escondido, entre os bairros da Vila Nova Conceição e Moema, que o amante da boa gastronomia pode encontrar o Chef Patrick Bragato.


Acima de tudo, dá pra perceber logo nos primeiros minutos de conversa, que o cara sabe muito bem o que quer.
Francês, nascido no Brasil, tentou várias carreiras até encontrar na gastronomia o lugar perfeito para dar asas à sua imensa criatividade.
É adepto aos alimentos frescos, naturais e com eles faz verdadeira alquimia com texturas e sabores que podem surpreender.
Ele fala sempre em produtos do terroir paulista.
Portanto, os pratos abaixo, podem ou não estar no cardápio no dia que você for ao restaurante.
O que é certo, é que os pratos serão elaborados com produtos frescos do dia.


Essa berinjela por exemplo (acima).
Tem um molho com redução de sementes, especiarias e aceto balsâmico, a folha de shisô em cima (shisô é uma folha muito usada na cozinha japonesa, conhecida também como perilla, da família das mentas) e o que o chef chamou de terra (azeitona preta desidratada e ralada) em cima de tudo.
O prato é saboroso, fresco, com combinação perfeita dos ingredientes.


No creme morno de cogumelo, mais uma surpresa positiva.
Mais terra.
O creme de cogumelo paris, tinha no meio um creme fouettée (creme batido, como chantilly) e em cima: terra.
Essa terra é mesmo da terra: Café.
A riqueza dos aromas de terra típicos do cogumelo, com o toque forte do café parece um duelo de titãs que no final combina tipo força+força=sutileza.



O Papillote de Alho-Poró parecia querer contrariar o prato anterior. Era sutileza+sutileza= frescor.
Na época em que as cidades brasileiras estão um verdadeiro forno, nada como um prato como este.
Alho-poró, agrião ácido, raspa de limão siciliano e soja.





A beterraba assada no casco, ganha sabor e força com a ricota defumada. Outra alquimia do chef.
Normalmente a beterraba tem sabor de terra e nada mais. Com a ricota defumada, o suco do cozimento da própria beterraba e umas fatias da beterraba crua, ficou com um sabor diferente, que de olhos fechados, provavelmente seria difícil dizer do que se tratava.




A brincadeira vegetariana ganha corpo com o Lírio (peixe de águas profundas) assado em baixa temperatura, com abobrinha primitiva e um caldo de lagostin.
Boa textura, sabor e escolha de ingredientes.





A carne vermelha (de boi) era um entrecôte suculento, bem ao ponto, com Nirá (tipo de cebolinha japonesa) e folhas de Chuchu no vapor.
A surpresa fica por conta de um tipo de pé de moleque, feito com castanha do Pará, que dá o toque criativo do chef, em perfeita harmonia.


Entre as sobremesas, me chamou atenção o arroz doce.
Nunca achei grande coisa num prato de arroz doce...
Mas...
Esse tem pimenta rosa, tem frutas vermelhas e azedinha (que está sempre nas mesas francesas, lá chamada Oseille).
Claro que depois desse festival de criatividade, conversei (entre abóboras) com o chef Patrick Bragato, pra saber como essa história começou:



O melhor de tudo pelo jeito ficou com o preço, segundo a entrevista do chef.
Preço de menus a preço fixo, muito comuns na França.
R$ 69,90
A Au vin fica na Rua Diogo Jácome, 475 - Vila Nova Conceição - São Paulo - SP
O restaurante é também uma loja de vinhos.
Tem pouco mais de 20 lugares.
Vale a pena!!!


Assista a segunda parte do documentário: Chile - Teroir, Personagens, Histórias, Vinhos...



Toda segunda um capítulo inédito aqui no papodevinho.com
Veja o capítulo 2:



Se você não viu o capítulo 1, aí vai o link:
http://www.papodevinho.com/2015/12/chile-terroir-personagens-historias.html

sexta-feira, dezembro 18, 2015

Tudo sobre as regiões francesas - Vallée du Rhône - Parte 47 - Sud Méridional - AOC Ventoux



AAOC Côtes du Ventoux, passou a se chamar apenas AOC Ventoux em 2010.
São 6700 hectares de vinhedos aos pés do famoso Monte Ventoux.
É dividida em 3 setores: Bassin de Malaucène (a norte), l'amphithéâtre de Carpentras (centro) e o setor sul, que fica ao lado dos vinhedos do Luberon.
Os solos são calcários, com pedras arredondadas (pela água do rio).
O clima é típico mediterrâneo, com a ajuda das montanhas no papel de abrigar os vinhedos dos ventos fortes.
A produção anual é de cerca de 290 mil hectolitros (85% tintos).
As variedades de uva usadas são: Grenache e Syrah (para tintos e rosés) e Clairette, Bourboulenc e Grenache Blanc (para os brancos).
São vinhos que podem ser frutados e leves ou potentes e com colocação intensa.
A AOC passa por uma verdadeira revolução de qualidade.

O Vinho e a Arte - fotografia - Alina Iancu - 3


quinta-feira, dezembro 17, 2015

Casa Valduga Gran Raízes Corte 2009 - Tinto - Campanha Gaúcha - Rio Grande do Sul - Brasil



Valeu a pena guardar.
Esse vinho ganhou o Top5 do Encontro de Vinhos de Campinas em 2012, na frente de 1 vinho espanhol, 1 português, 1 chileno e 1 argentino.
Sem dúvida está entre os melhores vinhos brasileiros.
Provei na época e guardei uma garrafa que provei ontem, já com 6 (quase 7) anos de vida.
É um corte de Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc e Tannat.
Passou 1 ano em barricas de carvalho francês.
O tempo não afetou muito a cor (nem é tanto tempo para um vinho deste porte), vermelho rubi, intenso, com leve granada na borda.
No nariz tem boa intensidade aromática (média+) e complexidade.
Notas de cassis, tabaco, groselha, azeitona preta, couro, defumado e cacau.
Na boca é encorpado, tem boa acidez (média+), Taninos (médio+) com textura macia granulado fino, sensação alcoólica média (tem 13,5%), bom equilíbrio e potência.
Intensidade de sabor média+. 
Couro, tabaco, defumado e frutas vermelhas maduras e em geleia.
Persistência média+.
Vinho em evolução, deve se manter assim pelos próximos 5 anos.
Nota: 92
O site da vinícola vende o corte 2010: https://loja.famigliavalduga.com.br/Produto/Raizes-Gran-Corte-2010 por R$ 138,50 
Relação qualidade/preço: 4/5

Vinha Grande - Douro 2022 - Casa Ferreirinh

Cereja, bergamota, violeta...  na boca tem corpo médio, taninos macios, sensação de frescor, sabor repetindo o nariz, mas com um toque de e...