quarta-feira, agosto 05, 2015
terça-feira, agosto 04, 2015
Entrevista exclusiva com o dono da bodega Norton, de Mendoza. A bodega é de 1895, e foi comprada pela família Swarovski em 1989
Michael Halstrick, filho de Gernot Langes-Swarovski, chegou na Argentina em 1991 e é o responsável pela bodega.
Na entrevista ele fala de responsabilidade social, potencial da argentina vitivinícola e um pouco da história da Norton.
segunda-feira, agosto 03, 2015
Pomerol, Canelé, Ariane, Mathieu... A lembrança é como uma doença rara... - Conto
Gostei da brincadeira do conto com trilha sonora.
Talvez seja uma vantagem da internet.
Clique e escute o Caetano enquanto conhece a história.
Ariane e Mathieu seguiam sempre o mesmo ritual.
Uma garrafa de um bom vinho do Pomerol, uma dose de Barsac, acompanhando um Canelé.
Entre tudo isso, dias, meses e anos de um amor colossal.
Talvez mais colossal para Ariane.
Depois de 730 garrafas de Pomerol, 730 doses de Barsac, 730 Canelés e 730 dias juntos, Mathieu se despediu.
Olhou para os olhos de Ariane e disse que o amor já não era forte o suficiente.
Não desviou o olhar, não desviou do assunto, não fugiu de nada.
Essas bobagens de sumir, excluir disso ou daquilo não fazia parte nem do caráter nem da natureza de Mathieu.
Entrou e saiu da relação como um lorde.
Isso doía mais ainda na cabeça de Ariane.
Nem amaldiçoar o pobre ela podia...
Poder podia, mas não se sentiria à vontade.
Os dias seguiram e o tanto de vinhos da mesma região ficavam guardados como se fossem lembrança de um defunto.
Nada de mexer naquele canto.
Canelé era um nome proibido.
Barsac era palavrão.
O pior é que quando se foge de alguma coisa, ela parece que persegue.
Ariane morava em Saint-Émilion, poucos quilômetros do Pomerol.
Cada almoço, cada wine bar, cada café no final de tarde encontrava uma garrafa de Pomerol e tudo vinha de novo.
As lembranças são como uma doença rara.
Ninguém sabe explicar, ninguém sabe se livrar delas...
Depois de quase um mes sem Mathieu, conheceu Gilbert.
Era um cara alto, magro, falastrão...
Bonito.
Entraram no restaurante para o que seria o primeiro de muitos jantares.
Veio a carta de vinhos e...
Bingo.
Pomerol.
Veio uma dor de cabeça, que Ariane não conseguia levantar os olhos.
Era enchaqueca.
Nem deu tempo dele pedir Barsac ou Canelé.
Nem sei se ele pediria isso.
Nem Ariane ficou sabendo.
Foi embora como um foguete.
Claro que Gilbert nunca mais apareceu.
No dia seguinte ela pediu que uma amiga retirasse de sua casa todas as garrafas que tivessem escrito: Pomerol...
Que pena!!!
Duas semanas depois, debaixo de uma chuva terrível, o carro de Ariane derrapou numa curva e bateu justamente na placa: Pomerol...
Aiaiaiai...
Era preciso uma manobra para voltar ao caminho.
Urgente.
Pegou o telefone e ligou sem pensar.
-Alô
-Me deixe viver Mathieu.
Você fez tudo certo.
Nada a reclamar.
Mas quero meu Pomerol de volta.
Quero meu Barsac.
Quero meu Canelé.
Em 15 minutos Mathieu batia na porta.
Entrou com uma garrafa de Château Petrus.
Levou um Barsac e uma caixa de Canelé.
Disse que estava reparando seu maior erro.
No dia seguinte a amiga trouxe todas as garrafas de volta.
A lembrança conseguiu o que queria, mas perdeu para a realidade.
PS: Pomerol é uma denominação de origem de Bordeaux (uma das mais importantes), Barsac é uma denominação de origem que produz vinhos doces, também em Bordeaux e Canelé é esse doce típico também de Bordeaux.
Château Petrus, é um dos vinhos mais caros do mundo, e é produzido no Pomerol.
Pio Cesare é Barolo... Pio Boffa é sabedoria...
Muita gente fala que os barolos são duríssimos quando jovens e que não devem ser bebidos...
Pio Boffa responde: A proteína amolece os taninos...
Exatamente.
Coma.
Prove o vinho e coma proteína.
Vai aprender como se prova um Barolo mais jovem.
Nenhuma dúvida de que são vinhos de vida longa e se esperarmos mais de 10 anos teremos outros aromas, mais dos famosos ***terciários...
Mas pra acompanhar a comida do gradíssimo Salvatori Loi, do Loi Ristorantino, não precisamos de muitos terciários.
Bastam os *primários e **secundários com a fruta madura e o tanino potente amolecido pela proteína de um filé mignon com trufas e foie gras.
Harmonização perfeita.
Provei diversos vinhos do produtor e nem é preciso dizer que todos são perfeitamente indicados.
O Barolo DOCG 2011 (todos os Barolos são elaborados com a variedade Nebbiolo), é elaborado com uvas de diversos vinhedos da família.
Pio Boffa deixou claro que nos vinhos Pio Cesare, o princípio de vinhos de um só vinhedo não faz nenhum sentido.
O vinho descansa em botes grandes de madeira e uma porcentagem em barricas francesas (cerca de 30%).
No nariz é limpo, tem boa intensidade aromática (média+).
Notas de cereja, cassis, baunilha, alcaçuz, chocolate...
Olha os terciários aí gente...
Show!!!
Na boca são dois vinhos.
Sem comida taninos ainda duros, com comida taninos finos, textura macia e granulada (médio+).
Acidez média+, corpo médio+, álcool médio+, intensidade de sabor média+.
Notas de frutas vermelhas e negras, alcaçuz e café.
Vinho longo. Muito longo.
Em evolução.
Os tais terciários já deram o ar da graça.
Nota: 94/100
Preço: 486 Reais (2009)
Importador: www.decanter.com.br
Relação preço/qualidade: 3/5
*Os aromas primários são os que vêm da fruta.
Podem ser vegetais, florais, frutados e minerais.
**Os aromas secundários são os que o vinho ganhou no processo de elaboração, que inclui a fermentação e o amadurecimento em barrica ou onde quer que seja.
Podem ser de leveduras, manteiga, madeira, queijo, leite, ácidos, mel...
***Os aromas terciários (também chamado bouquet) são os que o vinho ganhou com o envelhecimento em garrafa.
Podem ser de frutas secas, cristalizadas, compotas, chocolate, café, especiarias, pimentas, chocolate, carne defumada, couro...
domingo, agosto 02, 2015
Moutard Père & Fils Cuvée des 6 Cépages Brut 2006 - Champagne - França
Muita gente deve estar pensando pelo título que Champagne só pode ser da França, mas muita gente ainda não sabe disso. Portanto, Champagne é França e só pode ser França.
É o nome da região de onde saem os melhores espumantes do mundo.
Outra coisa que muito mais gente não sabe, é que as variedades de uva autorizadas da Champagne não são apenas a Pinot Noir, a Chardonnay e a Pinot Meunier.
São 7.
Além das 3 bastante conhecidas, podem ser usadas inclusive como varietal: Arbane, Petit Meslier, Pinot Blanc e Pinot Gris.
O que é lastimável, é que novas plantações dessas variedades são proibidas, fazendo com que valentes resistentes replantem apenas em substituição os pés velhos por novos da mesma variedade.
Até a Gammay foi utilizada até 1927.
É uma pena.
A prova disso é a qualidade dessa Champa.
Provei com os amigos Daniel Perches (www.vinhosdecorte.com.br) e Alexandre Frias (www.diariodebaco.com.br), que claro, não vão me deixar mentir rsrsrs...
A cor mostra evolução, o dourado já passa de reflexo e invade a cor.
A perlage ainda é potente.
Barulhenta logo que entra na taça, acalmando logo depois.
Os aromas de amêndoa, avelã, brioche, dominam e dominam bem.
Boa intensidade aromática (média+).
Na boca a mousse é aquela que se espera de grandes Champagnes.
Bastante cremosidade, nada de agressividade, acidez perfeita (média+), nenhum defeito, muita complexidade e as notas percebidas no nariz se repetem na boca reforçadas por um gosto amanteigado e uma nota de mel.
Final longo, bastante persistente.
Nota: 94/100
Preço: 200 reais na rede de supermercados Angeloni (Santa Catarina).
Relação preço/qualidade: 4/5
sábado, agosto 01, 2015
A noite do Alentejo nunca mais foi a mesma - Conto
Era muito estranho para João, entender porque todas as noites uma das três mulheres contratadas para a colheita, entrava em seu quarto, entrava debaixo dos lençóis e começava um exercício que não seria nada normal ser contado com todas as letras em um blog onde o assunto principal é o vinho.
O estranho é que as 3 mulheres contratadas para a colheita eram bem tímidas.
Eram trabalhadoras, sérias...
Mas ele acordava vendo aquela pele morena levantando da cama e saindo rápido como uma fuga mesmo.
A noite ela chegava lentamente, como se convidasse para algo que todo mundo pode saber perfeitamente o que é.
Os lençóis brancos como se tivessem feito parte daquelas propagandas de sabão em pó só eram vistos pela manhã.
A noite eram só obstáculos entre ele e a misteriosa mulher que entrava no quarto, enchia ele de beijos, carinho e amor antes de fugir pela manhã.
Era como uma hipnose.
A curiosidade fazia com que ele tentasse ficar acordado, mas parece que ela esperava o momento certo para atacar.
Numa noite, quase no fim da colheita, tomou quase uma tonelada de café para ficar acordado.
fingiu que estava dormindo.
Chegou a fazer barulhos de ronco.
Ela entrou.
Se enfiou debaixo dos lencóis.
Começou seu ritual irresistível e até impublicável, quando João viu que se tratava de Maria Inês.
Ela era a mais tímida.
A mais séria.
A mais respeitosa.
A mais linda.
A mais misteriosa.
Ele fingiu que estava dormindo, fingiu que não sabia quem era.
Fingiu como na verdade fingia nas outras noites, mas dessa vez tinha certeza de quem estava na sua cama.
No pouco tempo que restava na sua mente para pensar em outra coisa, pensou em como se revelar nas primeiras horas da manhã.
Infelizmente dormiu sem perceber.
Maria Inês saiu sem ser notada.
No dia seguinte, falar alguma coisa seria quase uma despedida.
Faltavam 3 dias para todas as uvas saírem dos pés para se transformarem no melhor vinho do Alentejo.
Melhor esperar.
Foram 3 noites de amor, e nem era preciso tomar o café.
Na última, ele tentou de todas as formas revelar pra ela que sabia perfeitamente o que estava acontecendo.
Mas misteriosamente dormia.
Era como uma consulta com hora marcada.
No dia seguinte o pagamento foi feito, os agradecimentos, a festa e nada de ter coragem de dizer o que queria...
João não queria que aquilo acabasse.
Maria Inês não teria coragem de se revelar, mas nem que o mundo acabasse.
Depois da festa ela fez mais uma vez o ritual que durou toda a colheita.
João pensou que o movimento da noite impediria a nova investida.
Ficou acordado e dessa vez ele fez tudo como queria.
Nada de adormecer.
Maria Inês bem que tentou.
O sol entrava pela fresta.
Ela fingiu que estava dormindo.
A Lua já se apagava pelo sol.
João olhava para o corpo de Maria Inês.
Era vez dela dormir, mesmo que de mentira.
Ele beijou sua boca com força.
Falou segredos.
Falou verdades.
Algumas mentiras.
Ela enfim resolveu acordar.
Pegou uma camisola, levantou com pressa e saiu.
João apareceu na despedida e deu um beijo no rosto de cada trabalhadora e um aperto de mão em cada trabalhador.
Maria Inês se despediu como as outras.
João ficou decepcionado.
Na verdade nunca havia sentido algo parecido.
O mistério somado a todo o resto era um sonho.
Na verdade nunca havia sentido algo parecido.
O mistério somado a todo o resto era um sonho.
Bebeu uma garrafa de vinho e foi dormir mais pra lá do que pra cá.
No meio da noite aconteceu tudo de novo.
E continua acontecendo...
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