quarta-feira, julho 09, 2014

O Vinho e a Pintura com mais Terry Rodgers. O realismo picante.


Tudo sobre as regiões francesas - Vallée du Rhône - Parte 9 - Nord (Septentrional) - AOC Saint-Péray



A AOC Saint-Péray é o vinhedo mais ao sul da Côte-du-Rhône septentrional.
São 70 hectares de vinhedos repartidos em 2 comunas de Ardèche, Saint-Péray e Toulaud, próximo de Valence.
São produzidos a cada ano, cerca de 2200 hectolitros de vinhos brancos, secos ou espumantes, que possuem também a AOC Saint-Péray Mousseux.
O microclima é mais fresco e os solos (veja ilustração) ricos em minerais e granito e calcário.
As variedades principais desse paraíso de brancas são: Marsanne e Roussanne.
Os vinhos brancos secos de Saint-Péray são pouco ácidos e pouco alcoólicos.
Oferecem aromas de flores brancas, mel, amêndoa e pão tostado.


Provei os vinhos da Valduero e conversei com a Carolina García Viadero, uma das donas da bodega.



Me preparei para provar os tintos de Ribera del Duero, mas de surpresa, veio um branco.
E que branco gostoso!



García Viadero Blanco de Albillo 2013
Elaborado com Albillo, que na Ribera del Duero está quase extinta (é a variedade principal na D.O. Vinos de Madrid).
No nariz é limpo com intensidade aromática pronunciada.
Notas de maracujá, manga, tuti fruti, manteiga.
Na boca é seco, acidez alta, corpo médio e sabor pronunciado de tuti fruti.
Final médio/longo.
É untuoso e equilibrado.
Bela surpresa!
Preço: 87,00 Reais.
Importadora: Inovini - www.inovini.com.br 
Nota: 90/100

Passamos para o Valduero Crianza 2010.
No nariz tem intensidade aromática média+, as notas de madeira sobressaem e aparecem logo de cara. Cedro, baunilha e um espaço menor para as frutas vermelhas.
Elaborado com a Tempranillo (chamada pelo produtor e na região pelo nome de Tinto Fino).
Na boca é seco, limpo, taninos finos, acidez média, corpo médio e as notas do nariz se repetem na boca.
Normalmente as notas de madeira combinam com a comida e o vinho fica mais interessante.
Elaborado com uvas de vinhedos de mais de 50 anos.
Passou 15 meses em barricas de carvalho.
Preço: 178,00 Reais.
Importadora: Inovini - www.inovini.com.br 
Nota: 88/100



Passamos para o Valduero Reserva 2009 que passou 30 meses por barricas americanas, canadenses e croatas (eslavônia).
Imagina que seja um vinho mais amadeirado?
Errou.
Elaborado com a Tempranillo.
O vinho é de uma classe e equilíbrio excelentes.
Elaborado com uvas de vinhedos de mais de 50 anos.
No nariz é limpo, intenso.
Bastante fruta fresca.
Ameixa, cereja, amora, também notas de cocada preta e florais.
Na boca é seco, tem corpo médio+, acidez média, taninos finos, textura aveludada, equilíbrio e elegância.
Final longo.
Preço: 260,00 Reais.
Importadora: Inovini - www.inovini.com.br 
Nota: 93/100



Terminamos com o Valduero Gran Reserva 2004.
No nariz é limpo, intenso.
Elaborado com uvas de um vinhedo de Tempranillo com mais de 70 anos.
Notas de frutas negras, vermelhas, café, caramelo, defumado.
Na boca tem corpo médio+, taninos finos, textura aveludada, acidez média+ e sabor intenso.
As notas do nariz se repetem na boca.
Vinho longo e de longa guarda. 
Ainda deve evoluir muito, por muitos anos.
Grande vinho!
Preço: 645,00 Reais.
Importadora: Inovini - www.inovini.com.br
Nota: 95/100

Depois da degustação conversei com a Carolina García Viadero.
Veja:





terça-feira, julho 08, 2014

O Vinho e a Pintura - Sempre picante, Terry Rodgers.


Domaine Rotier Renaissance 2009 - Tinto - Gaillac (sud-ouest) - França


Normalmente os solos de Gaillac são pedregosos.
As variedades utilizadas são de cara, um bom motivo para provar.
Esse foi elaborado com 50% Duras, 15% Braucol (também chamada Fer-Servadou, que no dialeto local significa: que se conserva bem) e 35% Syrah.
As 3 variedades foram fermentadas separadas.
O vinho passou 1 ano em barricas de carvalho francês (1/3 novo).
No nariz é limpo e mostra boa intensidade aromática (média+).
Notas de morango, cassis, framboesa, cereja, alcaçuz, baunilha e canela.
Na boca é seco, tem corpo médio, taninos (médio) finos com textura granulada e delicada, tem 14,5% de álcool, mas muito bem equilibrado, não se percebe.
Sabor intenso de ervas aromáticas, alcaçuz e frutas vermelhas.
Importador: http://www.emporiomundo.com.br/
Preço: 110,00 Reais.
Nota: 90/100


domingo, julho 06, 2014

Sabia que são 7 variedades autorizadas na Champagne? Sabia que os vinhos elaborados com elas são excelentes? Sabia que elas podem desaparecer? Só o consumidor pode mudar isso...


Os dados oficiais nem se dão ao trabalho de citar os 0,5% de superfície das variedades esquecidas ou antigas.
Só citam os 38% de Pinot Noir, 32% de Pinot Meunier e os 30% de Chardonnay.
O CIVC (Comité Interprofessionnel des Vins de Champagne) autoriza as variedades esquecidas nos cortes, mas não autoriza o plantio.
Pior, autoriza que as velhas vinhas sejam arrancadas.
A Gamay, por exemplo, era autorizada e utilizada até 1927, mas hoje só se encontra misturada em vinhedos antigos de outras variedades.
As quatro variedades marginais desapareceram não por não oferecer qualidade na bebida, mas por darem mais trabalho aos produtores.
A Pinot Gris sofre mais do que as outras com as geadas da primavera, mas por outro lado tem maturação mais rápida.
A Arbane tem pouco rendimento e é difícil de prensar, de retirar o suco.
A Petit Meslier tem pouco rendimento e é sensível ao Botrytis.
A Pinot Blanc desaparece sem explicação mesmo.
Houve um tempo que que cada vila da Champagne se orgulhava de suas variedades autóctones, hoje são alguns produtores que não deixam as variedades desaparecerem da região.
Se você visitar a Champagne ou comprar uma garrafa na França ou Estados Unidos, por Exemplo, deve tentar fugir do óbvio.
Sempre se deve fugir do óbvio para aumentar o conhecimento e dar valor ao patrimônio natural de cada região.
Vale muito a pena provar essas Champagnes.



A Moutard é a mais conhecida.
Elabora uma Cuvée 100% Arbane (que oferece notas de tangerina).



A Drappier também já lançou uma champa chamada Quattuor com as cariedades Chardonnay, Pinot Blanc, Arbanne e Petit Meslier.



A Aubry é uma verdadeira trincheira de preservação.
Faz questão de elaborar diversas Cuvées com variedades esquecidas.



Outros menores, mas nem por isso menos corajosos, também seguem mantendo a tradição, como a Champagne Aspasie com uma Cuvée 40% Petit Meslier, 40% Arbane e 20% Pinot Blanc.
Agora temos que fazer nossa parte e procurar essas garrafas apoiando os produtores.

Acredito que nenhuma dessas chegue ao Brasil por enquanto, mas se for viajar, fuja do óbvio e não se arrependerá...
Além disso, ajudamos a preservar a história.

Vinha Grande - Douro 2022 - Casa Ferreirinh

Cereja, bergamota, violeta...  na boca tem corpo médio, taninos macios, sensação de frescor, sabor repetindo o nariz, mas com um toque de e...