quinta-feira, junho 12, 2014

Quer saber de onde saem as rolhas? Veja a visita que fiz num Montado, nome da floresta onde estão os Sobreiros...


Nomes estranhos para os brasileiros: Montado, Sobreiro, Sobro...
O Montado é uma floresta de sobreiros ou sobros, que são as árvores de onde se extrai a casca para a produção das rolhas dos vinhos.
É impressionante a riqueza deste meio ambiente, com centenas de espécies de animais e pássaros que faz parte do patrimônio de Portugal.
É uma atividade extremamente favorável ao meio ambiente.
As árvores chegam a viver por 200 anos e nunca são arrancadas.
A cortiça da casca é retirada a cada 9 anos e tudo se aproveita.
A parte mais dispensável da cortiça serve para bio massa, que é o combustível responsável por 60% da energia de algumas fábricas de rolhas.
Tudo a favor do meio ambiente.
Veja a reportagem que fiz no Alentejo:



Viajei para Portugal a convite a APCOR (Associação Portuguesa de Cortiça) e não escondi minha simpatia pelas tampas de rosca (Screw Cap). 
Quando vi o desenvolvimento tecnológico para evitar os problemas na rolha que prejudicam o vinho e os beneficios ecológicos da cortiça em relação ao alumínio, minha admiração pelo Screw Cap diminuiu bastante.

quarta-feira, junho 11, 2014

Casa Valduga Villa-Lobos 2006 - Serra Gaúcha - Brasil


Sempre defendo que os vinhos brasileiros são bons vinhos de guarda. Cada dia mais tenho provas disso.
Esse vinho aos 8 anos estava jovem, sem sinais de evolução que outro vinho provado no mesmo dia 3 anos mais jovem e produzido no Uruguai.
Elaborado com Cabernet Sauvignon 100%.
Passou 12 meses em barricas francesas.
No nariz é limpo, tem média intensidade aromática.
Notas de cassis, amora, cereja, baunilha e ervas aromáticas.
Na boca é elegante, tem os taninos macios, textura aveludada, boa acidez e equilíbrio.
O final é médio/longo com notas de chocolate e café.
Preço: cerca de 100 Reais.
Produtor: www.casavalduga.com.br
Nota: 89/100

Espumante Terras do Demo Brut (seco) - Beiras - Portugal - Uma excelente surpresa!!!



Jamais imaginaria que a maior surpresa em uma semana em Portugal seria um Espumante.
Terra de Tintos, Brancos e fortificados fantásticos! 
Claro que quando digo surpresa é surpresa, não que tenha sido o melhor vinho que provei, mas o que mais me surpreendeu.
O nome é de filme de terror.
A garrafa é bonita, o rótulo é bonito e o líquido...
Provei no Porto em um bar especializado em Champagnes e Espumantes.
Quem indicou foi a Ana Pereira, que trabalha com vinhos do Douro abrindo mercados pelo mundo.
A perlage é extremamente fina, rápida, barulhenta.
No nariz vai para o lado do frescor, com notas cítricas e florais.
Na boca se destaca pela cremosidade, os aromas do nariz se repetem e o frescor também.
Não sei quanto tempo o vinho passou em contato com as leveduras, mas os aromas de panificação aparecem discretamente.
Tem um final persistente e um bom equilíbrio.
É um sucesso em Portugal. 
Elaborado com a Malvasia Fina na região de Beiras, pela Cooperativa Agrícola do Távora.
Preço em Portugal: cerca de 10 Euros
Não sei se tem importador no Brasil, mas fiz uma busca e vi que a Winelands trouxe este espumante em algum momento (talvez ainda traga) http://www.clubedovinhowinelands.com.br/
Nota: 90/100

Bodegas Juan Gil 4 Meses 2012 - Tinto - DO Jumilla - Espanha



Provei ontem este vinho.
O rótulo é bonito, moderno e o vinho segue a mesma linha.
Incrível a capacidade da Espanha em produzir vinhos de qualidade em diversas regiões e variedades diferentes.
Esse é um Monastrell 100%.
A Monastrell é a mesma uva que na França é chamada de Mourvèdre.
No nariz é limpo, com boa intensidade aromática.
Notas de amoras maduras, morangos, alcaçuz, grama, cravo e chocolate.
Passou 4 meses em barrica.
Na boca é seco, corpo médio, acidez média, taninos firmes e sabores de amoras, cacau e alcaçuz.
Final médio.
Preço: cerca de 90 Reais.
Importador: Mercovino www.mercovino.com.br
Nota: 89/100

terça-feira, junho 10, 2014

Visitei o Palácio Bussaco e provei os vinhos míticos produzidos por eles.



Fui ao Palácio do Bussaco, perto de onde viveu meu avô, onde vivem meus primos e onde visitei diversas vezes.
O Palácio é imponente, foi construído a partir de 1885 para os últimos reis de Portugal cercado por uma floresta de 105 hectares plantada e murada pela Ordem das Carmelitas Descalças.
O Palácio, de estilo neomanuelino hoje é um hotel e os vinhos produzidos por eles desde 1920 são conhecidos pela qualidade e imenso potencial de guarda.
Dentro do Palácio, os azulejos contam histórias dos descobrimentos portugueses.
Provei o Branco 2011 e o Tinto 2007.
Os brancos estão entre os mais longevos de que se tem notícia.
O crítico Hugh Johnson, em seu guia, sempre atribuiu aos vinhos pontuação máxima.
O Branco 2011 (elaborado com Encruzado, Maria Gomes e Bical) tinha aromas complexos, entre flores, jaca, ervas aromáticas, frutas cítricas e pão torrado.
Na boca o vinho é extremamente elegante, equilibrado com acidez perfeita, notas tostadas e um final extremamente longo.
Preço: 278 Reais o 2007 na www.mistral.com.br
Nota: 95/100

O Tinto 2007 (elaborado principalmente com a Baga e em alguns anos castas locais entram com pequenas parcelas no corte) é cheio de fruta, notas de amoras, framboesas, groselha, notas vegetais, café e couro.
Na boca os taninos são finos com textura granulada, vão na contra mão da fama da bairrada.
Vinho com boa acidez, equilíbrio e elegânte.
Final longo com notas de groselha.
Preço: 333 Reais o 2003 na www.mistral.com.br
Nota: 92/100
A Mistral é a única importadora do mundo que conseguiu importar os vinhos do Bussaco, que por tradição, só podem ser bebidos (e hoje em dia vendidos) no local.
Veja a entrevista que fiz com os funcionários do hotel Palace Bussaco durante minha visita surpresa.






Tudo sobre as regiões francesas - Vallée du Rhône - Parte 4 - Nord (Septentrional) - AOC Cornas


A AOC Cornas produz cerca de 3800 hectolitros de vinhos tintos por ano, em 110 hectares de vinhedos que ficam em torno da comuna de Cornas, na margem direita do rio Rhône, bem em frente a cidade de Valence.
O clima é quente e tem uma insolação excepcional.
As encostas são íngremes e melhoram ainda mais a exposição das uvas.
Para se ter uma idéia, Cornas significa Terras Queimadas.
O vento regular e constante também ajudam na produção de uvas excelentes.
Os solos são principalmente de granito (solo e relevo mais detalhados na ilustração) e a variedade a Syrah.
Os vinhos são potentes e encorpados, com cor bem escura, quase negra.
O potencial de guarda é excelente, podendo chegar facilmente (ainda vivo e com alguma fruta) aos 30 anos.
Na juventude são vinhos tânicos e frutados, sempre com boa estrutura.
Depois de 10 anos começam a mostrar notas de trufas, alcaçuz e frutas em compota.
Uma excelente AOC!!!

Vinha Grande - Douro 2022 - Casa Ferreirinh

Cereja, bergamota, violeta...  na boca tem corpo médio, taninos macios, sensação de frescor, sabor repetindo o nariz, mas com um toque de e...