terça-feira, março 04, 2014

Chilcas País 2010 - Via Wines - Chile


Ontem provei um país 100% que tem um bom preço e mostra que a variedade esquecida e deixada de lado pelos chilenos está voltando com força.
A variedade é vinífera e veio da Espanha há quase 500 anos.
Na Eapanha é conhecida pelo nome de Listán.
A variedade foi deixada de lado por ter taninos firmes, por ser difícil de domar, mas isso em outros tempos.
A tecnologia nos vinhedos e o conhecimento dos enólogos de hoje, podem resultar em vinhos como este.
A cor é de média intensidade, vermelho, rubi.
No nariz boa intensidade aromática. Muita fruta vermelha madura, pimenta, terra, especiarias.
Na boca é um vinho bem equilibrado, com excelente acidez, taninos bem domados, corpo médio, final médio/longo.
Importado pela Max Brands - www.mxbrands.com.br
Preço: 40 Reais.
Nota: 88/100

Tudo sobre as regiões francesas - Beaujolais et Lyonnais - Parte 5 - Chénas



A AOC Chénas também gaz parte dos crus de Beaujolais.
É a menor AOC com 265 hectares.
Perde em popularidade para a vizinha Moulin-à-Vent, pelé fato de muitos produtores terem direito de reivindicar a AOC mais famosa. 
Os solos são compostos de areia granítica.
Os vinhos, sempre tintos de Gamay, normalmente tem corpo intenso, aromas complexes de frutas vermelhas, flores e especiarias.
Na boca são vinhos com taninos marcantes e nom equilíbrio.
Alguns vinhos, feitos com uvas de vinhas velhas, envelhecem muito bem.

O Vinho e a Pintura - Derek Gundy - Título: Amy's Wine Haous


segunda-feira, março 03, 2014

Filmes saborosos: Politiki Kouzina - O Tempero da Vida - Por Wania Westphal


Se você não gosta de cinema fora do convencional sugiro que deixe esse texto de lado, escolha um bom vinho, pegue sua taça, coloque a garrafa aberta na mesinha ao lado da sua poltrona predileta e vá assistir ao filme que está para começar daqui a pouco, na TV.  Dificilmente você vai encontrar  Politiki Kouzina, escrito e dirigido pelo grego Tassos Boulmetis. O longa de 2003, que não por acaso recebeu no Brasil o título  O Tempero da Vida, é um poema sobre as relações entre a gastronomia e a vida - também política -  de cada um. Você vai ter de procurar este filme, e garanto que não vai se arrepender.

As duas primeiras sequências não dão exatamente o tom do que vai aparecer nos 103 minutos seguintes. Os primeiros fotogramas que vão enchendo a tela são da mama nua de uma mulher, de lado, em close. A voz do protagonista ao fundo explica entre outras coisas que seu avô dizia que, em grego, a palavra ‘arroto’ aparece dentro da palavra ‘sonho’. Enquanto isso  entra em quadro a cabecinha de um bebê em busca de leite, tentando pegar o bico do peito. Uma recusa, um punhado de açúcar sobre o mamilo e pronto: o bebê começa a mamar, e com esse doce tempero a vida começa.





A segunda sequência mostra um flutuante guarda-chuva vermelho aberto se aproximando, vindo do espaço, entre as estrelas num céu escuro como pano-de-fundo para a apresentação do time: elenco, roteiro, direção, tudo em grego, com um fundo musical instrumental envolvente, responsabilidade de Evanthia Reboutsika.

Engano  imaginar que  trata-se de um filme intelectual, enfadonho. Isso é tudo o que Tempero da Vida não é. O guarda-chuva vai ser explicado lá na frente, em dois momentos, e tudo fica muito claro.

A linguagem de Politiki Kouzina é metafórica, mas de fácil compreensão. Basicamente porque gira em torno das conversas e aprendizados na relação afetuosa entre um neto, criança, e seu avô. E o que o garotinho Fanis (Markos Osse , depois Odysseas Papaspiliopoulos aos 18) aprende com papus Vassilis ("vovô" Tassos Bandis) vai além das valiosíssimas orientações sobre os melhores usos para cada tempero.





O avô é didático quando fala das deliciosas receitas gregas, riquíssima representante da cozinha mediterrânea – uma vez que assimila influências  muçulmanas que chegaram ao longo dos anos, em meio à crises políticas envolvendo os países próximos ao Mar Adriático.


Tudo começa com um Fanis adulto (o belo, porém canastrão George Corraface), professor de astrofísica na Universidade de Atenas que não vê há décadas o avô que tanto ama. Papus (vovô)  permaneceu em Istambul quando a família foi separada em decorrência da expulsão dos gregos que viviam na Turquia , na principal crise política na região no final dos anos cinquenta, começo dos sessenta.

Nos dias de hoje, papus pega todo mundo de surpresa ao ser hospitalizado às vésperas do que seria o reencontro com o neto e com os amigos de origem turca que também viviam na Grécia – um capítulo à parte, quatro senhores apresentados como ‘magnetizados’ porque se movimentam, os quatro, na mesma direção, sem perceberem a coreografia involuntária de seus gestos.
Fanis  decide voltar a Istambul, para rever o avô, e assim passa a recordar suas histórias, em cenas que chamam atenção pela beleza, delicadeza de tons, rendas, mobílias, cristais, cenários de uma cidade que começava a se apresentar ao mundo como uma das mais belas não só da Europa como da Ásia, os dois continentes  que ela ocupa.

O filme é apresentado como uma refeição, com entrada, prato principal e sobremesas.







À mesa grega, na infância de Fanis,  as primeiras aparições são os mezedes, as entradas, geralmente uma grande variedade de sabores onde dificilmente faltam dolmades (charutinhos de folha de uva), bekri meze (um picadinho de carne de porco com pimentões e tomates), saganakis (queijo empanado), tzatziki (uma espécie de patê com pepino e creme branco) keftedes (bolinhas fritas que lembram almôndegas) e outros pratinhos que geralmente ocupam todos os espaços de uma mesa grega minimamente bem posta. Na qual jamais faltará o ouzo, preparado como se deve: uma dose (três dedos) da bebida, num copo alto, duas pedras de gelo e água mineral para encher o copo e completar o drinque.

Papus (vovô) Vassilis passava noites inteiras fazendo essas iguarias , dizia que “os mezedes preparam você para uma viagem de aventuras.”

Uma aventura que começa no momento da escolha das matérias-primas. Não basta olhar e apalpar uma berinjela; é necessário ouvir o que uma boa berinjela  tem a dizer, por isso os gregos colocam o legume perto da orelha e o sacodem antes de optar pela compra.




Fanis pequenininho, de calças curtas, ficava sentado ao alto da escada que dava acesso ao mezanino do armazém de secos e molhados do avô onde a luz entrava às avessas, contra linguiças e réstias de alho penduradas para venda que mais pareciam objetos de decoração. Não havia sequer uma única dona de casa que não recorria aos conselhos do proprietário desse empório, não só para ouvir conselhos sobre as receitas como para captar uma dica ou outra que vinha camuflada sob umas pitadas de cominho.

“Senhor Vassilis sabia como evocar sem provocar”, define o bom homem que tornou-se médico do exército e acabou casando a bela Saime (Basak Köklükaya), primeiro e único amor da vida de Fanis.

O roteiro mostra que o papel da canela na culinária grega é quase tão importante e talvez tão sagrado quanto o do sal. (“As pessoas gostam de ouvir histórias sobre coisas que elas não podem ver! Que importa não ver o sal se a comida está saborosa?)





A canela também era usada como conservante quando não havia geladeiras.

Vassilis explica que um tempero, mesmo quando usado incorretamente, serve para “provar um ponto de vista diferente”. Outra dica do papus: “Em um almoço de família, não use cominho, porque ele é forte e torna as pessoas introspectivas.”

Observador, sabia que o neto adorava os astros, e comparava os temperos às estrelas: “Pimenta é o sol, que vê tudo, e por isso vai bem em todas as comidas. A seguir, Mercúrio e Afrodite,  também são quentes, como a canela: doce e amarga como todas as mulheres.” Mais uma sugestão emblemática de papus Vassilis: “Os molhos suavizam qualquer receita! Quando não usam molhos na comida sempre exageram nas conversas.”



 



Há momentos de puro bom humor. Como quando o tio Emilios (Stelios Mainas)  traz como presente , de uma de suas viagens, nos anos cinquenta, a primeira duduclu (panela de pressão) que acaba sendo usada indevidamente, cheia de quiabos até a tampa e levada ao fogo. O primeiro liquidificador também é trazido pelo tio viajante, em 1966. À tia Elpiniki (Kakia Panagioutou) eles entregam as tigelas cheias com alimentos que precisam ser sacudidos, o que combina perfeitamente com o Mal de Parkinson que a senhora manifesta em tempo integral - até o primeiro susto, que subitamente a cura. Há mais, muitos outros momentos para rir,  sem reflexão nenhuma.

Alguns ensinamentos  também ficam marcados ao longo de Politiki Kouzina:  “Há dois tipos de viajantes: aqueles que olham no mapa e aqueles que olham no espelho. Aqueles que olham no mapa estão partindo, os que olham no espelho estão voltando.”

Numa cena romântica entre Fanis e Saime, o diálogo:

 - A maioria das estrelas que a gente vê não existem. Vemos a marcas que deixaram no tempo – diz ele

- Nunca diga a uma mulher que não existem as estrelas que ela está vendo – ela responde.

Para pensar...


Politiki Kouzina é poético, espirituoso, didático, um pouco arrastado na parte final mas essencialmente belo. E é um filme obrigatório para quem aprecia os enigmas da gastronomia. Uma saborosíssima obrigação, que fique bem claro.

O Mapa Mundi do Gosto - Vinho x Cerveja


O Vinho e a Pintura - Marcello Ferrada de Noli - 3

Título: She Cello

domingo, março 02, 2014

Musica deliciosa do francês Pierre Perret sobre o vinho. Perfeita para um domingo!



Letra:
Si le bon Dieu nous a donné
Dans sa largesse un trou sous le nez
Pour baiser nos maîtresses
Pour compléter son souhait divin
Il voulut qu´on y verse
De temps en temps un verre de vin
Je cherche une fille en vain
Qui m´aime autant que j´aime le vin
Qui boira mon Bourgogne
Et mon Bordeaux mon Saint-Julien
Et leur violente sève
Coulera le feu dans nos reins

{Refrain:}
Claque ta langue
Fille de Bacchus
Contre la mienne
Et gloire à Vénus

Tandis qu´elle goûte à mon Latour
Au Chambertin au Saint-Amour
Sous sa robe vermeille
Elle m´offrira le fin bouquet
De sa divine treille
Au parfum d´ambre et de muguet
J´écouterai le doux babil
Qu´engendre le Mouton-Rothschild
Et ses fraîches papilles
Cajoleront le grand Pétrus
Qui fait jouer aux filles
L´amour sur un stradivarius

{au Refrain}

Elle saura se méfier de l´eau
Le nez dans le clos de Vougeot
Ou fleurant la vanille
Dans le gracieux Château Giscours
J´aimerai qu´elle s´habille
De ce parfum pour nos amours
Sortant mes lettres de cachet
Avec le noble Montrachet
La belle peut me rendre
Et en caresses et en bécots
En accolements tendres
Cent fois le prix de son écot

{au Refrain}

Qu´un jour nos académiciens
Boivent quelques gouttes de vin
Ils auront le courage
De définir ce mot abscons
Qui est tout à leur image
Il rime avec le frais Mâcon
Si le bon Dieu nous a donné
Dans sa largesse un trou sous le nez
Pour baiser nos maîtresses
Pour compléter son souhait divin
Il voulut qu´on y verse
De temps en temps un verre de vin

Vinha Grande - Douro 2022 - Casa Ferreirinh

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