segunda-feira, outubro 19, 2020

Vivalti Sauvignon Blanc 2019 - Santa Catarina - Brasil

 


Elaborado na altitude (1310 metros), 

em São Joaquim Santa Catarina.

O interessante desse vinho é que ele representa 

a variedade (Sauvignon Blanc) com perfeição.

É exatamente o que se espera de um vinho 

feito com essa uva.

No nariz é cítrico. Notas de maracujá, 

carambola e grama cortada.

Na boca é seco, corpo ligeiro, excelente acidez 

e boa intensidade de sabor, repetindo as notas 

sentidas no nariz, com destaque para o maracujá.

É equilibrado e tem boa persistência.

Nota: 89


sexta-feira, outubro 16, 2020

Mirabilis Branco 2018 - Douro - Portugal





Mirabilis em latim significa surpreendente.

Com certeza esse branco do Douro surpreende.

É elaborado com uvas de vinhas velhas onde predominam as variedades Viosinho e Gouveio.

No nariz notas de banana, melão, pedra de isqueiro e baunilha.

Na boca é seco, crocante, tem ótima acidez e textura.

Sabor intenso repetindo as notas do nariz junto com um toque salino e amanteigado.

É longo, elegante e equilibrado.

É excelente.

Nota: 93



sexta-feira, outubro 09, 2020

Château Palmer fala sobre denúncias de maus-tratos contra trabalhadores espanhóis



 

A diretora de exportação do Château Palmer me enviou um e-mail com uma entrevista do diretor Thomas Duroux ao site Roux89 de Bordeaux.

Na entrevista o diretor nega as acusações dos espanhóis e diz que contratou os trabalhadores através de uma agência de empregos e que nem a agência e nem os responsáveis pela colheita confirmaram as acusações.

O diretor também disse, que não respondeu ao e-mail da jornalista espanhola, por ele estar na caixa de entrada do formulário de contato do site e ele não teve acesso a essa caixa durante a época da colheita.

Ele afirma que as acusações são anônimas, não são claras e que nas 17 anos de colheitas em que trabalha  no Château Palmer, nunca houve nenhum problema com os trabalhadores.

Sobre a falta de água mineral, ele afirma que a empresa comprou uma grande quantidade de garrafas que foram disponibilizadas diretamente aos trabalhadores.

Sobre a alimentação, os pratos foram suspensos por causa da pandemia, mas os trabalhadores receberam um adicional de 9 euros em cima do salário, que é 18% maior do que o salário mínimo da França.

Sobre os dormitórios, eles também foram suspensos, mas foram criados 50 espaços para camping, para os trabalhadores.

No final o diretor Thomas Dourou disse que não pretende processar a jornalista. Segundo ele o próprio artigo demonstra falta de credibilidade.

Segue o link com as explicações do diretor do Château Palmer:

https://rue89bordeaux.com/2020/10/le-chateau-palmer-nie-toute-maltraitance-envers-les-saisonniers-espagnols/

quarta-feira, outubro 07, 2020

Marchesi di Barolo 2015 - Piemonte - Itália





 

Se o Barolo é chamado de "O Rei dos Vinhos Italianos" deve ser por um ótimo motivo. Afinal, a Itália produz grandes vinhos e ser rei por lá não seria coisa muito fácil.

O Barolo tem a cor que lembra um Pinot Noir e uma potência de taninos incrível. É um vinho que envelhece muito bem e merece o apelido.

Esse é um dos tradicionais da região. Quando digo tradicional me refiro a estilo e a tradição de fato.

A tradição nesse caso do Barolo se divide entre os produtores que usam barricas francesas pequenas, que são chamados de modernos, e os que usam tonéis grandes (normalmente produzidos na Croácia, numa região chamada Slavonia, o que provoca confusão entre enófilos que confundem com Eslovênia, que não cultiva bosques de carvalho e nem produz barricas), chamados tradicionais.

A Marchesi di Barolo tem outros rótulos, inclusive divididos por uvas de sub-regiões, no caso deste rótulo a tradição é a bandeira.

No nariz você pode encontrar aromas de bosque, framboesa, amora, tabaco, canela e um toque floral.

Na boca é seco, taninos finos que não se escondem, boa acidez, sabor intenso e álcool um pouco saliente.

O final é persistente e o vinho é jovem.

Nota: 91 


segunda-feira, outubro 05, 2020

Trabalhadores espanhóis reclamam de maus-tratos na colheita do Château Palmer



O Château Palmer, um Grand Cru Classé de Margaux, está sendo acusado de maus tratos aos funcionários temporários da colheita.

A notícia saiu no Jornal Público, da Espanha.

Na reportagem de Alejandra de la Fuente, os trabalhadores espanhóis, a maioria da Andaluzia, reclamam que eram insultados, faltava água e as medidas de segurança não eram respeitadas.

Contaram que logo que chegaram foram avisados de que não receberiam nem alojamento e nem comida por conta do coronavirus.

Mesmo assim aceitaram ficar, mas a situação era ainda pior. Desde o primeiro dia, não receberam nem uma garrafa de água.

Uma trabalhadora contou ainda que eram insultados o tempo todo. Riam, chamavam de mortos de fome e até de filhos da Puta.

Um dos trabalhadores relatou que nem banheiro podiam usar e que faziam as necessidades entre as vinhas.

Quando o trabalho terminava, tinham 1 ducha para 120 pessoas.

A noite os trabalhadores dormiam onde conseguiam, em carros, barracas e até mesmo na rua.

As mulheres reclamaram inclusive de assédio sexual.

Todos os anos cerca de 14 mil espanhóis vão para a França trabalhar nas colheitas.

A reportagem do Jornal O Público tentou falar com o Château Palmer e não teve resposta.

Link da reportagem completa no Jornal Público:

https://www.publico.es/economia/temporeros-espanoles-vina-francia-denuncian-abusos-insultos-falta-alojamiento.html?utm_source=facebook&utm_medium=social&utm_campaign=publico&fbclid=IwAR2DXOh-Imune5qpTUNaRBah0CnTgcv02CqY72hXXdUDkGZZXXO6oEbRMgc



quarta-feira, setembro 30, 2020

Redoma 2014 - Douro



 

Eu sempre acredito que o bom produtor é um selo de qualidade. Do vinho mais barato ao mais caro, ele não se permite fazer um vinho que não seja bom, ou muito bom.

O Redoma é filho da Niepoort. Esse 2014 estava delicioso.

As uvas vem de vinhedos de mais de 70 anos, com castas misturadas: Tinta Amarela, Touriga Franca, Rufete, Tinta Roriz, Tinta Cão e outras.

No nariz cereja, ameixa, um toque floral e de pimenta.

Na boca é encorpado, os taninos são firmes, mas com textura fina e granulada. Uma parte do vinho foi vinificada com o engaço (a parte verde do cacho). Tem boa acidez, sabor intenso repetindo o olfato e excelente persistência.

Um super Vinho!

Nota: 94

Preço: de 450 a 530 (safra 2016) na Grand Cru https://www.grandcru.com.br/products/vinho-tinto-niepoort-douro-redoma-tinto-2016-750-ml

quarta-feira, setembro 23, 2020

Morreu Pierre Troisgros, o precursor da Nouvelle Cuisine. E eu tenho uma história pra contar.





Pierre Troisgros, tinha 92 anos. 

Era considerado um dos 3 grandes chefs da história da gastronomia, junto com Joël Rebouchon e Paul Bocuse (amigo de Pierre e ícone da Nouvelle Cuisine). 

Era o único vivo.

O restaurante Maison Troisgros, em Roane, tem 3 estrelas Michelin desde 1968 e já foi considerado o melhor restaurante do mundo.

Eu conversei com Pierre Troisgros e a conversa foi inesquecível por dois motivos.

Primeiro por estar diante dele. 

Em segundo lugar, porque a entrevista não foi gravada, talvez pela emoção.

Eu estava no Toques et Clochers, em Limoux.

O evento é composto por uma degustação de vinhos base de espumantes, um leilão das barricas que foram degustadas e um grande jantar de gala, com presença de chefs estrelados para provar pratos de chefs estrelados convidados.

Toda a renda vai para a restauração de uma torre medieval, das tantas que existem na região.

No ano em que fui, o Rio de Janeiro foi homenageado, e portanto, os chefs convidados eram: Claude Troisgros (filho do Pierre), Rolland Villard e Roberta Sudbrack. Uma brasileira e dois franceses com uma grande história no Brasil.

Conversei com o Claude Troisgros e perguntei se poderia entrevistar seu pai. Ele sempre gentil me respondeu que sim, mas desde que fosse em francês.

Topei na hora, era o que eu queria.

Liguei a câmera (será?), fiquei frente a frente com a história da gastronomia, respirei fundo e comecei.

Foram cerca de 10 minutos de encantamento. Cada palavra, sempre muito bem pronunciada, sempre dirigida com elegância, cada história... Parece que senti o gosto do Saumon à L'Oseille. Foi o primeiro prato que estampou o principal jornal da época com os dizeres: Nasceu a Nouvelle Cuisine... 

Era um senhor, sorridente e gentil.

Terminei a entrevista, agradeci profundamente e voltei para minha mesa. 

Quando liguei a câmera para ver o que tinha gravado, não tinha nada.

Algumas vezes acontece de achar que o REC está apertado e não está, mas não poderia ter sido desta vez.

Erro fatal. Imperdoável.

Não tive coragem de voltar, de perguntar tudo de novo, de incomodar...

Conversei com outro jornalista, um francês que estava na minha mesa, para saber se ele poderia fazer a entrevista e dividiríamos. 

Ele respondeu que o significado de Pierre era tão grande, que ele teria que refletir...

Medroso...

Logo depois ele me negou a ajuda.

Mais um pouco depois e vi com meus próprios olhos ele gravando com o celular, cara a cara com o grande Pierre...

Coisas da vida. 

Não era para ter sido gravado.

Abaixo a reportagem que fiz no Toques et Clochers, com a presença do Pierre.






Vinha Grande - Douro 2022 - Casa Ferreirinh

Cereja, bergamota, violeta...  na boca tem corpo médio, taninos macios, sensação de frescor, sabor repetindo o nariz, mas com um toque de e...