segunda-feira, outubro 05, 2020

Trabalhadores espanhóis reclamam de maus-tratos na colheita do Château Palmer



O Château Palmer, um Grand Cru Classé de Margaux, está sendo acusado de maus tratos aos funcionários temporários da colheita.

A notícia saiu no Jornal Público, da Espanha.

Na reportagem de Alejandra de la Fuente, os trabalhadores espanhóis, a maioria da Andaluzia, reclamam que eram insultados, faltava água e as medidas de segurança não eram respeitadas.

Contaram que logo que chegaram foram avisados de que não receberiam nem alojamento e nem comida por conta do coronavirus.

Mesmo assim aceitaram ficar, mas a situação era ainda pior. Desde o primeiro dia, não receberam nem uma garrafa de água.

Uma trabalhadora contou ainda que eram insultados o tempo todo. Riam, chamavam de mortos de fome e até de filhos da Puta.

Um dos trabalhadores relatou que nem banheiro podiam usar e que faziam as necessidades entre as vinhas.

Quando o trabalho terminava, tinham 1 ducha para 120 pessoas.

A noite os trabalhadores dormiam onde conseguiam, em carros, barracas e até mesmo na rua.

As mulheres reclamaram inclusive de assédio sexual.

Todos os anos cerca de 14 mil espanhóis vão para a França trabalhar nas colheitas.

A reportagem do Jornal O Público tentou falar com o Château Palmer e não teve resposta.

Link da reportagem completa no Jornal Público:

https://www.publico.es/economia/temporeros-espanoles-vina-francia-denuncian-abusos-insultos-falta-alojamiento.html?utm_source=facebook&utm_medium=social&utm_campaign=publico&fbclid=IwAR2DXOh-Imune5qpTUNaRBah0CnTgcv02CqY72hXXdUDkGZZXXO6oEbRMgc



quarta-feira, setembro 30, 2020

Redoma 2014 - Douro



 

Eu sempre acredito que o bom produtor é um selo de qualidade. Do vinho mais barato ao mais caro, ele não se permite fazer um vinho que não seja bom, ou muito bom.

O Redoma é filho da Niepoort. Esse 2014 estava delicioso.

As uvas vem de vinhedos de mais de 70 anos, com castas misturadas: Tinta Amarela, Touriga Franca, Rufete, Tinta Roriz, Tinta Cão e outras.

No nariz cereja, ameixa, um toque floral e de pimenta.

Na boca é encorpado, os taninos são firmes, mas com textura fina e granulada. Uma parte do vinho foi vinificada com o engaço (a parte verde do cacho). Tem boa acidez, sabor intenso repetindo o olfato e excelente persistência.

Um super Vinho!

Nota: 94

Preço: de 450 a 530 (safra 2016) na Grand Cru https://www.grandcru.com.br/products/vinho-tinto-niepoort-douro-redoma-tinto-2016-750-ml

quarta-feira, setembro 23, 2020

Morreu Pierre Troisgros, o precursor da Nouvelle Cuisine. E eu tenho uma história pra contar.





Pierre Troisgros, tinha 92 anos. 

Era considerado um dos 3 grandes chefs da história da gastronomia, junto com Joël Rebouchon e Paul Bocuse (amigo de Pierre e ícone da Nouvelle Cuisine). 

Era o único vivo.

O restaurante Maison Troisgros, em Roane, tem 3 estrelas Michelin desde 1968 e já foi considerado o melhor restaurante do mundo.

Eu conversei com Pierre Troisgros e a conversa foi inesquecível por dois motivos.

Primeiro por estar diante dele. 

Em segundo lugar, porque a entrevista não foi gravada, talvez pela emoção.

Eu estava no Toques et Clochers, em Limoux.

O evento é composto por uma degustação de vinhos base de espumantes, um leilão das barricas que foram degustadas e um grande jantar de gala, com presença de chefs estrelados para provar pratos de chefs estrelados convidados.

Toda a renda vai para a restauração de uma torre medieval, das tantas que existem na região.

No ano em que fui, o Rio de Janeiro foi homenageado, e portanto, os chefs convidados eram: Claude Troisgros (filho do Pierre), Rolland Villard e Roberta Sudbrack. Uma brasileira e dois franceses com uma grande história no Brasil.

Conversei com o Claude Troisgros e perguntei se poderia entrevistar seu pai. Ele sempre gentil me respondeu que sim, mas desde que fosse em francês.

Topei na hora, era o que eu queria.

Liguei a câmera (será?), fiquei frente a frente com a história da gastronomia, respirei fundo e comecei.

Foram cerca de 10 minutos de encantamento. Cada palavra, sempre muito bem pronunciada, sempre dirigida com elegância, cada história... Parece que senti o gosto do Saumon à L'Oseille. Foi o primeiro prato que estampou o principal jornal da época com os dizeres: Nasceu a Nouvelle Cuisine... 

Era um senhor, sorridente e gentil.

Terminei a entrevista, agradeci profundamente e voltei para minha mesa. 

Quando liguei a câmera para ver o que tinha gravado, não tinha nada.

Algumas vezes acontece de achar que o REC está apertado e não está, mas não poderia ter sido desta vez.

Erro fatal. Imperdoável.

Não tive coragem de voltar, de perguntar tudo de novo, de incomodar...

Conversei com outro jornalista, um francês que estava na minha mesa, para saber se ele poderia fazer a entrevista e dividiríamos. 

Ele respondeu que o significado de Pierre era tão grande, que ele teria que refletir...

Medroso...

Logo depois ele me negou a ajuda.

Mais um pouco depois e vi com meus próprios olhos ele gravando com o celular, cara a cara com o grande Pierre...

Coisas da vida. 

Não era para ter sido gravado.

Abaixo a reportagem que fiz no Toques et Clochers, com a presença do Pierre.






sexta-feira, setembro 18, 2020

Foi um sucesso o lançamento do Guia Descorchados.




O Guia Descorchados 2020 fez um lançamento super organizado e super seguro.

As degustações começaram no horário marcado, terminaram no horário previsto e o uso dos recursos on line funcionou perfeitamente.

Aqui no Brasil estavam Christian Burgos (editor do Guia) e Eduardo Milan (um dos degustadores da equipe de Patricio Tapia).





Patricio, comentava os vinhos direto do Chile e chamava para participar o enólogo do vinho degustado, que poderia ser Brasil, Chile, Argentina ou Uruguai.

Tudo funcionou perfeitamente.

Distanciamento, máscara antes e após a degustação, álcool gel, lenço de papel, cuspideira individual...

Os vinhos muito bem escolhidos entre os destaques do Guia.



O Guia, que já é uma referência entre os vinhos da América do Sul, está maior, mais completo e mais obrigatório para o amante do vinho.

As degustações aconteceram de Segunda a Quarta desta semana. 

Na degustação que participei, esses foram os vinhos:




sábado, setembro 12, 2020

Barca Velha 2011 chega ao mercado português com muita expectativa.





O maior ícone de Portugal chegou ao mercado na semana passada. 

O enólogo Luis Sottomayor não poupou elogios ao vinho, que só é engarrafado em anos especiais.

Com frases como "Chegou o Leão" e "Único e Extraordinário", o enólogo apresentou o vinho na Quinta da Leda, de onde saem as uvas para a produção do vinho.

É o vigésimo Barca Velha da história, que começou no ano de 1952 criado pelo visionário Fernando Nicolau de Almeida.

Eu entrevistei o Luis Sottomayor sobre o ícone português.

Vale assistir:




sexta-feira, setembro 11, 2020

José Zuccardi Malbec 2014 - Mendoza

 


Houve um tempo em que o vinho Zuccardi Zeta era o grande vinho da Zuccardi. 

Com a construção da bodega Piedra Infinita e os vinhedos do Valle de Uco a todo vapor, o Zeta continuou excelente, mas ganhou companhia de outros vinhos modernos elaborados pelo Sebastián Zuccardi.

Sebastián recebeu o apoio incondicional do pai na construção cara e trabalhosa da nova bodega e nada melhor para homenagear um dos grandes visionários argentinos com o nome de um vinho.

José Zuccardi é a grande homenagem que José Alberto recebeu do filho. 

O vinho continua impecável como sempre foi o Zeta, agora produzido no Valle de Uco.

95% Malbec, 5% Cabernet Sauvignon. 

O vinho descansou em concreto e em tonéis grandes de carvalho.

A cor já entrega que é um vinho concentrado e encorpado. Cor rubi intensa, escura na borda e no centro.

No nariz notas de amora, alcaçuz, violeta...

Na boca é encorpado, taninos potentes com textura granulada fina, excelente.

É um vinho moderno, com boa acidez, tem potência mas não é pesado.

É longo e equilibrado.

Nota: 93

Importadora Grand Cru: 

https://www.grandcru.com.br/products/vinho-tinto-jose-zuccardi-malbec-2015-750-ml


quinta-feira, setembro 10, 2020

Cono Sur Bicicleta Pinot Noir Reserva 2018 - Chile





A Cono Sur tem uma longa história com a variedade Pinot Noir.

Foi nas terras da Cono Sur, no Fundo Chimbarongo, que foram plantadas as primeiras mudas de Pinot Noir, clone Pommard da França, em 1968. 

Chimbarongo significa Vale da Neblina no idioma Mapuche.

Esse é um Pinot Noir bem típico, com cor rubi clara, nariz bem frutado com notas de framboesa, morango e um toque defumado e de couro.

Na boca é macio, tem corpo médio e excelente acidez.

Os taninos são macios, granulados com excelente textura.

Boa intensidade de sabor com as notas sentidas no nariz se repetindo na boca e persistência média.

Passou 9 meses em barricas francesas.

Excelente relação qualidade/preço.

Nota: 88

Preço: cerca de 60 reais.

Importador: https://www.lapastina.com/produtos/vinhos/cono-sur-bicicleta-pinot-noir

Preço: 

Na gravação do documentário, Chile - Terroir, Personagens, Histórias, Vinhos... Visitei a Cono Sur e conversei com o enólogo Adolfo Hurtado.




Vinha Grande - Douro 2022 - Casa Ferreirinh

Cereja, bergamota, violeta...  na boca tem corpo médio, taninos macios, sensação de frescor, sabor repetindo o nariz, mas com um toque de e...