quarta-feira, novembro 12, 2014

Zé ou Mané?!?!?! Bruno Airaghi conferiu o restaurante 5 Oceanos, no Porto.



Aos viajantes que passam pelas terras de Camões, mas precisamente O Porto .
Já sabem sobre os encantos desta cidade que faz os deliciosos vinhos fortificados que levam o próprio nome:
PORTO.
Mas não falarei sobre esta maravilha e sim um restaurante em Matosinhos nas docas do porto.
Trata-se do 5 Oceanos , como não  poderia de ser os peixes são a grande atração.
O local é bem decorado com uma grande bancada logo na entrada com um desfile de peixes a escolher.
Na parede oposta um aquário  com uma dúzia de lagostas se mostrando aos frequentadores, aliás exemplares marinhos para ninguém botar defeito...enormes.
O salão é bem democrático no tocante ao cigarro, um lado é dos não viciados o outro é liberado!
Tal situação não causa estresse, garanto.
Os pratos são a base de pescado e não raro o garçon passa a bandeja com algum grande espécime, explicando ao cliente o prato e o preparo do peixe.
Eu fiquei mais restrito e pedi um polvo a la guilho, laminado com azeite , alho e um toque de limão. Como petisco excelente.
Acompanhado de um vinho branco da casa (Viozinho e Gouvea) do Douro com 13 % , meia garrafa a Euros 8,5.
O mesmo vinho casou-se bem com sardinhas na brasa com batatas ao murro, valendo meia porção 9,50 Euros.
Corretissima !!!
Como tudo estava bom , ambiente relax, etc... resolvi aceitar a sobremesa. 
O que seria?
Torta de amêndoas bem casada com LBV 2009 Nieport com um creme de ovos. 
Delicia, ainda mais por ter sido cortesia da casa.
Enquanto aguardava o café e terminando o LBV dei uma olhada no menu e pincei alguns pratos, por exemplo:
Mariscada para 2 pessoas = 120 Euros
Lagosta grelhada =110 Euros
Bacalhau a Lagareiro = 29 Euros
Contei, ainda no final 15 mesas todas com vinho e casais (alguns estrangeiros) em longas conversas, fazendo um intervalo com um gole de vinho e brindando áquela belissima refeição.
10 horas da noite solicitei a conta e no recibo encerrando a experiência, lá estava impresso quem o emitiu: Zé !! pois  é o ZÉ!
Imaginei seria o Mané!!! O mais natural.
Endereço : Rua Herois de França 689
Tel: 22 0372941
Em Lisboa :
Doca de Sto. Amaro Armazém 12
Tel:21 3978015

terça-feira, novembro 11, 2014

Tudo sobre as regiões francesas - Vallée du Rhône - Parte 21 - Sud Méridional - AOC Côtes-Du-Rhône-Villages Laudun



A AOC Laudun, abrange 3 comunas: Laudun, Saint-Victor la Coste, e Tresques, no departamento de Gard. Os vinhedos ficam em encostas maravilhosas de solos pedregosos.
Os vinhos são produzidos desde o tempo dos Romanos.
Em 1947, a área foi delimitada no tribunal de Uzès, para em 1967 ganhar o Status de AOC Cotes-du-Rhône Villages. Com clima mediterrâneo e a visita constante do vento Mistral, os vinho se desenvolvem com força nos 493 hectares da AOC.
A produção anual é de cerca de 18 mil e 400 hectolitros.
As variedades são as típicas do Rhône:
Grenache, Syrah e Mourvèdre para os tintos e rosés e Roussannem Marsanne, Clairette, Viognier e Bourboulenc Blanc para os brancos.
Os vinhos são encorpados, com bastante volume e complexidade.

Veja a lista de todos os ganhadores dos Top5 do Encontro de Vinhos em 2014. Pretendemos juntar todos para um tira teima no Encontro de São Paulo em 4 de Dezembro


Rio de Janeiro

1)  Tomero Gran Reserva Malbec – Domno
2)  Terras do Pó – Syrah Petit Verdot 2009 ideal
3)  Casilero Del Diablo Reserva Cabernet Sauvignon 2012
4)  Mettler Old Vine Zinfandel 2010 – Smart Buy
5)  Villa Francioni 2006 – CS, Merlot, Cab Franc, Malbec

São Paulo

1)  H Stagnari Tannat 2011 – Cantu
2)  Alfa Crux 2007 – Vinci
3)  Amarone della Valpolicella Il Bosco 2006 – Max Brands
4)  Acrobata 2011 – Terruares
5)  Bella Quinta – São Roque

Campinas

1)  Gaudio Clássico 2011 - Cristianini
2)  Maturana 2012 - Cristianini
3)  AC 6330 2010 – Chile
4)  Bella superior – Ideal Drinks
5)  Salton Gerações Paulo Salton

 Ribeirão Preto

1)  Obra Prima Collection Família Cassone 2010
2)  Quinta da Romaneira Porto 10 anos – Portus
3)  Quinta da Romaneira Reserva 2008 – Portus
4)  Sottano 3S Reserva de Família CS 2009 – MaxBrands
5)  Casilero Del Diablo Devil’s Collection 2009

Belo Horizonte

1)  Maynard’s Porto Colheita 2008 – Casa Rio Verde
2)  Principal Grande Reserva 2009 – Ideal Drinks
3)  Acrobata 2011 – Terruares
4)  100 Barricas de Chile – Terruares
5)  VF 2009 – Villa Francioni

Curitiba

1)  Iscay Malbec/Cabernet Franc – Interfood
2)  Gaudio – La Cristianini
Jerarquia – Barrica Negra
3)  Brunello di Montalcino Américo Vespúcio 2009 – Italy’s wine
4)  Mamertino 2008
5)  Unânime 2007 – Importadora Premium
Vernus Sta Helena blend 2012 - Interfood

sábado, novembro 08, 2014

Na Champagne, Bertrand só queria um movimento de Amelie... Conto



Bertrand vivia na grande Reims, que com seus 180 mil habitantes, domina a região de Champagne.
Nada comparado a pequena vila de Bouzy onde vivia a bela Amelie.
Amelie era uma das cerca de 1000 pessoas que vivem na vila onde existem mais vinhedos que pessoas.
Os dois se encontravam a cada 15 dias quando Amelie deixava a vila para entregar as Champagnes que produzia para um comerciante local.
Na verdade bastou o primeiro encontro para Bertrand ficar completamente nocauteado pelo olhar, pela voz, pela conversa e principalmente pela alma de Amelie.
Espera!
Amelie era além de tudo isso, uma mulher maravilhosa.
Não é verdade que quando se elogia outras qualidades é porque a beleza faltou.
Ela sobrava!!!
Bertrand não era homem de indecisão.
Logo no primeiro encontro disse o que queria dizer.
Amelie assustada, respondeu com a doçura que Bertrand passou a perceber desde o início.
O primeiro beijo também não demorou, mas tudo que veio depois dependia de muita paciência e controle de Bertrand.
Paciência e controle de viticultor.
Nenhuma uva cresce no inverno e nem pode ser colhida na primavera.
Assim pensava Bertrand.
Pensava também que nenhuma uva poderia ser mais importante que Amelie, mas cuidava de seus vinhedos de Pinot Noir como quem cuidava de um filho.
Os dois passaram a se encontrar sempre.
Se beijaram, se amaram...
Bertrand não pensava em outra coisa.
Amelie falava pouco, não falava em sentimentos, embora retribuísse em atitudes o amor oferecido por Bertrand.
Como ela sempre colhia suas uvas antes, os dois combinaram de trabalhar juntos um na colheita do outro.
Tudo correu bem na colheita de Amelie.
Perto de colher a Pinot Noir, nem a previsão da TV, nem do jornal e nem do mais antigo morador da Montagne de Reims, imaginava que o tempo poderia mudar.
Os ventos e as nuvens negras mobilizaram Bertrand.
Amelie veio rápido.
Amigos e vizinhos também.
Todos prontos para a colheita antecipada e com os olhos atentos para o céu.
Os vinhedos pareciam uma ilha sem chuva.
A água vinha fazendo curvas e nada de cair um pingo nos vinhedos de Bertrand.
Os vizinhos colhiam, Bertrand e Amelie ajudavam  com um olho e acompanhavam os lotes de Pinot Noir com o outro.
Nenhuma gota nos vinhedos de Bertrand.
A colheita na data certa estava garantida pelas previsões e pelo bom senso.
Os dois passaram a noite juntos e Bertrand, como sempre, enchia os ouvidos de Amelie de juras de amor e planos.
Amelie era sempre quieta e mais fechada que os cachos de Pinot Noir que não deixam nenhuma parte verde à mostra.
No caso de Amelie, era o coração escondido como se estivesse em um cofre.
Veio a colheita e os dois trabalharam como se estivessem brincando.
Depois se amaram como se não houvesse outro dia.
Pra cada "eu te amo" de Bertrand um sorriso de Amelie.
Veio o inverno.
Passou a primavera e já quase na outra colheita Amelie continuava distribuindo sorriso, carinho, doçura, mas sem nenhuma palavra.
A essa altura Bertrand começou a desconfiar que estava numa travessia solitária.
Se fechou em casa, esqueceu das uvas e não atendia ninguém.
Amelie respeitou.
Não imaginava o motivo, mas cuidou das uvas, colheu a Pinot, fermentou, refermentou, mexeu as garrafas, engarrafou, vendeu...
Não desistia de tentar falar com Bertrand, mas se olhavam de longe, pelo vidro da janela do quarto onde ele passava dias e noites.
Ela chegou a mandar o médico da cidade falar com Bertrand.
Ele na verdade só esperava um sinal.
Ela na verdade pensou que estava insistindo demais e resolveu não voltar.
Foi quando soube que Bertrand tinha abandonado completamente as uvas, abandonado a casa e se fechado numa solidão infernal.
Num último esforço passou a tarde mexendo nas uvas e olhando para a janela do quarto.
Quando viu Bertrand magro e com a barba por fazer se aproximando lentamente.
Fixou o olhar para ele, se aproximou o máximo que pôde e com o olhar fixo mexeu os lábios: Je t'aime...
Bertrand parecia explodir.
Os olhos queriam saltar da cara, a cor da pele mudou, o cabelo arrepiou, a barba também.
Ele deu um salto.
Deu um longo abraço em Amelie e disse baixinho: não preciso do som, só precisava do movimento.
As uvas foram colhidas mais uma vez a tempo e aquela safra do abandono deram incrivelmente a melhor safra.
Foi um ano especial para a champagne de Bertrand.
O ano de Amelie foi diferente, mais exuberante, mais aberto.
E tudo indica que o som de sua voz sairia em breve.
Para a alegria de Bertrand.



Vinha Grande - Douro 2022 - Casa Ferreirinh

Cereja, bergamota, violeta...  na boca tem corpo médio, taninos macios, sensação de frescor, sabor repetindo o nariz, mas com um toque de e...