quarta-feira, outubro 30, 2013
terça-feira, outubro 29, 2013
Numa degustação às cegas de míticos chilenos, elaborados com a Cabernet Sauvignon, Almaviva 2011 não ficou nem entre os 5 melhores.
Sob o comando do competente Patricio Tapias, o responsável pelo melhor guia de vinhos sulamericanos, o descorchados, degustamos 19 ícones chilenos de Cabernet Sauvignon.
A degustação aconteceu na Casa do Porto em São Paulo, e foi uma ideia do proprietário da casa, Péricles Gomes.
Foi uma degustação inesquecível.
Parávamos para decifrar as diferentes regiões com a ajuda do Patricio, que conhece essas diferenças como poucos.
Foram os seguintes vinhos, pela ordem de degustação:
1 Laberinto 2006
2 Erasmo 2007
3 Magia Negra 2009
4 Manso de Velasco 2009
5 Le Dix 2002
6 Sideral 2006
7 Marques de Casa Concha Tributo aos anos 80 - Marcelo Papa
8 Chacai 2009
9 Haras de Pirque 2009
10 Pircas de Liguai 2010
11 Aquitânia Lazuriz 2005
12 El Principal 1999 (elaborado por Jean-Paul Valette)
13 não teve
14 Domus Aurea 2008
15 Enclave Ventisquero 2010
16 Santa Rita Casa Real 2007
17 Almaviva 2011
18 Intriga 2010
19 Don Maximiniano 2010
20 Viñedo Chadwick 2010
Claro que os vinhos eram todos muito bons, a maioria excelente e claro que numa degustação às cegas acontecem surpresas.
O melhor na opinião geral foi o El Principal 1999.
Um vinho pronto, com notas mais complexas pela evolução e claro, entrou com essa vantagem de ser um grande vinho já no seu apogeu.
O meu preferido foi esse aí:
O Viñedo Chadwick 2010 é um vinho encorpado, concentrado.
No nariz limpo, boa intensidade de aromas.
Cassis, frutas negras, amora, mirtilo, cereja, chocolate...
Vinho ainda bem jovem.
Na boca tem os taninos aveludados (algo não tão comum nessa degustação), encorpado, notas de frutas negras, café, especiarias e mineral.
Boa acidez.
Final longo.
Nota: 92/100
Uma curiosidade.
O Mítico Almaviva, não foi citado entre os 5 melhores vinhos da degustação.
segunda-feira, outubro 28, 2013
Jane Prado visitou o Santovino, em São Paulo. Um restaurante focado no vinho.
O bolso de quem gosta de vinho sofre muito no Brasil. Claro que, quando eu falo em sofrimento, não tem nada a ver com dores e tristezas de verdade, apenas uma forma de expressar o quanto é difícil entender o porquê de tanto imposto neste país. Como se não bastasse tudo que já está embutido no preço de uma garrafa de vinho ao consumidor final, ainda existe a falta de foco dos restaurantes, que querem ter mais lucro na bebida que na comida, que deveria ser a sua grande estrela.
Espumante simplesmente incrível
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Por achar errado os bares e restaurantes terem essa política absurda de lucro em cima do vinho, que valorizei ainda mais a iniciativa do Santovino Ristorante: trabalhar com preço de importadora em sua casa. Com certeza, atitude de quem quer ajudar o crescimento do consumo de vinhos no Brasil.
Fui convidada para conhecer o restaurante, afinal a ideia é sensacional, mas de nada adiantaria se a comida e o atendimento não fossem especiais. Pois bem, chegando lá tivemos o prazer de saborear pratos incríveis, feitos com capricho e carinho pelo Chef Paulo Kotzent.
A Adega do Santovino é bem especial, com vários rótulos incríveis, permite que as pessoas gastem o que se programaram para o jantar, mas que com esse mesmo valor possam degustar um vinho superior ao que estão acostumados, ou ainda, permite que as pessoas percam o medo de pedir a carta de vinhos. Afinal, lá não dói no bolso fazer um brinde especial.
Um Rosé refrescante com características delicadas e intensas ao mesmo tempo!
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Parabéns pela iniciativa. Espero que os demais restaurantes comecem a ter vergonha dos preços que praticam e sigam o exemplo do Santovino.
Santé!
Jane Prado tem o blog: http://www.chateaudejane.blogspot.com.br/
M´Bongo, Pierre e o Vendedor de Mouton Falsificado
Quando Francis M´Bongo deixou a Costa do Marfim para trabalhar em Paris, ainda não havia provado sequer uma taça de vinho.
A loja no Boulevard de la Madeleine era luxuosa, M´Bongo só tinha o direito de entrar quando alguma garrafa ou taça se quebrava e sua vassoura mágica era rapidamente solicitada. Quando a loja fechava sim, o mutirão da limpeza entrava com tudo e as garrafas pela metade eram deixadas de lado, pronta para ir pro lixo. Claro que Pierre não deixaria que isso acontecesse.
O filho de marroquinos, nascido em Paris, conhecia vinhos.
Quando passou dois anos no Marrocos trabalhou como sommelier em um hotel 5 estrelas. Girava a taça, falava em aromas, sabores, enquanto os outros riam.
M´Bongo não. Ficava admirado!
Com o tempo, enquanto os outros riam, Pierre ensinava os prazeres do vinho para o amigo africano. Com a chegada do verão, Pierre fez como de costume: pediu sua demissão.
Todos os anos, nessa época, partia para o trabalho nas colheitas pela França afora.
Primeiro Champagne, depois Bourgogne, Rhône, o que desse tempo.
Quanto mais colheitas melhor! Dizia.
M´Bongo gostou da ideia e perguntou se cabia mais um.
Claro, respondeu Pierre.
Com mochila nas costas e vontade de sobra, lá foram eles.
Conseguiram trabalhar em 4 colheitas, se divertiram um bocado.
M´Bongo era forte, brincalhão. Por isso era convidado a voltar por cada produtor onde trabalhava.
Um deles, no Languedoc, ofereceu trabalho fixo para os dois, mas voltar era preciso.
A mesma loja no Boulevard de la Madeleine recebeu a dupla de braços abertos. A essa altura M´Bongo é que ensinava os outros funcionários da retaguarda.
Num belo dia, um senhor muito bem vestido apareceu vendendo garrafas bem abaixo do preço habitual e monsieur Patrick estava pronto a fechar negócio.
Pierre chamou o patrão de lado e disse:"os preços estão muito baixos monsieur, é arriscado!"
Por sorte Patrick era um patrão liberal. Aceitava sugestões e opiniões. Olhou para o vendedor e disparou:"Podemos provar o vinho?"
-Monsieur, se trata de um Mouton Rotschild, não é praxe abrirmos essas garrafas. São conhecidas e valorizadas.
-Por isso mesmo, são mais valorizadas pelos outros do que pelo senhor. Os preços são bons demais, se eu não comprar, pelo menos pago a garrafa.
-Quem é o seu sommelier?
-O sommelier ainda não chegou. Vou provar com meus dois funcionários que aqui estão.
O vendedor olhou para Pierre, um rapaz novo, com barba por fazer, calças jeans surradas e mãos sujas de trabalho. Olhou para M´Bongo com incrustrações de ouro nos dentes, corte de cabelo desenhado a moda africana e jeito de jogador de basquete americano.
-Está bem monsieur, vamos lá.
M´Bongo cheirou a taça imóvel, mexeu, sentiu o aroma e nem colocou na boca. Apenas balançou a cabeça negativamente. Pierre colocou na boca e bebeu o vinho e Monsieur Patrick nem se deu ao trabalho.
-Então, o que acharam? Perguntou Monsieur Patrick.
-Falso!
-Falso!
O vendedor arregalou os olhos e foi embora com pressa. Quase correndo.
Patrick percebeu que os dois tinham razão.
-A partir de hoje trabalham no setor de compras. Salário melhor, trabalho melhor e mais leve.
-Só uma coisa monsieur!
-Digam!
-Em época de colheita não trabalhamos!!!
O Vinho e a Pintura - Série sobre Baco - Jean-Antoine Gros
Título: Baco e Ariadne (obra de 1821).
O parisiense Jezn-Antoine Gros, nasceu em 1771 e morreu em 1835.
É um dos representantes do romantismo francês.
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