terça-feira, outubro 29, 2013
segunda-feira, outubro 28, 2013
Jane Prado visitou o Santovino, em São Paulo. Um restaurante focado no vinho.
O bolso de quem gosta de vinho sofre muito no Brasil. Claro que, quando eu falo em sofrimento, não tem nada a ver com dores e tristezas de verdade, apenas uma forma de expressar o quanto é difícil entender o porquê de tanto imposto neste país. Como se não bastasse tudo que já está embutido no preço de uma garrafa de vinho ao consumidor final, ainda existe a falta de foco dos restaurantes, que querem ter mais lucro na bebida que na comida, que deveria ser a sua grande estrela.
Espumante simplesmente incrível
|
Por achar errado os bares e restaurantes terem essa política absurda de lucro em cima do vinho, que valorizei ainda mais a iniciativa do Santovino Ristorante: trabalhar com preço de importadora em sua casa. Com certeza, atitude de quem quer ajudar o crescimento do consumo de vinhos no Brasil.
Fui convidada para conhecer o restaurante, afinal a ideia é sensacional, mas de nada adiantaria se a comida e o atendimento não fossem especiais. Pois bem, chegando lá tivemos o prazer de saborear pratos incríveis, feitos com capricho e carinho pelo Chef Paulo Kotzent.
A Adega do Santovino é bem especial, com vários rótulos incríveis, permite que as pessoas gastem o que se programaram para o jantar, mas que com esse mesmo valor possam degustar um vinho superior ao que estão acostumados, ou ainda, permite que as pessoas percam o medo de pedir a carta de vinhos. Afinal, lá não dói no bolso fazer um brinde especial.
Um Rosé refrescante com características delicadas e intensas ao mesmo tempo!
|
Parabéns pela iniciativa. Espero que os demais restaurantes comecem a ter vergonha dos preços que praticam e sigam o exemplo do Santovino.
Santé!
Jane Prado tem o blog: http://www.chateaudejane.blogspot.com.br/
M´Bongo, Pierre e o Vendedor de Mouton Falsificado
Quando Francis M´Bongo deixou a Costa do Marfim para trabalhar em Paris, ainda não havia provado sequer uma taça de vinho.
A loja no Boulevard de la Madeleine era luxuosa, M´Bongo só tinha o direito de entrar quando alguma garrafa ou taça se quebrava e sua vassoura mágica era rapidamente solicitada. Quando a loja fechava sim, o mutirão da limpeza entrava com tudo e as garrafas pela metade eram deixadas de lado, pronta para ir pro lixo. Claro que Pierre não deixaria que isso acontecesse.
O filho de marroquinos, nascido em Paris, conhecia vinhos.
Quando passou dois anos no Marrocos trabalhou como sommelier em um hotel 5 estrelas. Girava a taça, falava em aromas, sabores, enquanto os outros riam.
M´Bongo não. Ficava admirado!
Com o tempo, enquanto os outros riam, Pierre ensinava os prazeres do vinho para o amigo africano. Com a chegada do verão, Pierre fez como de costume: pediu sua demissão.
Todos os anos, nessa época, partia para o trabalho nas colheitas pela França afora.
Primeiro Champagne, depois Bourgogne, Rhône, o que desse tempo.
Quanto mais colheitas melhor! Dizia.
M´Bongo gostou da ideia e perguntou se cabia mais um.
Claro, respondeu Pierre.
Com mochila nas costas e vontade de sobra, lá foram eles.
Conseguiram trabalhar em 4 colheitas, se divertiram um bocado.
M´Bongo era forte, brincalhão. Por isso era convidado a voltar por cada produtor onde trabalhava.
Um deles, no Languedoc, ofereceu trabalho fixo para os dois, mas voltar era preciso.
A mesma loja no Boulevard de la Madeleine recebeu a dupla de braços abertos. A essa altura M´Bongo é que ensinava os outros funcionários da retaguarda.
Num belo dia, um senhor muito bem vestido apareceu vendendo garrafas bem abaixo do preço habitual e monsieur Patrick estava pronto a fechar negócio.
Pierre chamou o patrão de lado e disse:"os preços estão muito baixos monsieur, é arriscado!"
Por sorte Patrick era um patrão liberal. Aceitava sugestões e opiniões. Olhou para o vendedor e disparou:"Podemos provar o vinho?"
-Monsieur, se trata de um Mouton Rotschild, não é praxe abrirmos essas garrafas. São conhecidas e valorizadas.
-Por isso mesmo, são mais valorizadas pelos outros do que pelo senhor. Os preços são bons demais, se eu não comprar, pelo menos pago a garrafa.
-Quem é o seu sommelier?
-O sommelier ainda não chegou. Vou provar com meus dois funcionários que aqui estão.
O vendedor olhou para Pierre, um rapaz novo, com barba por fazer, calças jeans surradas e mãos sujas de trabalho. Olhou para M´Bongo com incrustrações de ouro nos dentes, corte de cabelo desenhado a moda africana e jeito de jogador de basquete americano.
-Está bem monsieur, vamos lá.
M´Bongo cheirou a taça imóvel, mexeu, sentiu o aroma e nem colocou na boca. Apenas balançou a cabeça negativamente. Pierre colocou na boca e bebeu o vinho e Monsieur Patrick nem se deu ao trabalho.
-Então, o que acharam? Perguntou Monsieur Patrick.
-Falso!
-Falso!
O vendedor arregalou os olhos e foi embora com pressa. Quase correndo.
Patrick percebeu que os dois tinham razão.
-A partir de hoje trabalham no setor de compras. Salário melhor, trabalho melhor e mais leve.
-Só uma coisa monsieur!
-Digam!
-Em época de colheita não trabalhamos!!!
O Vinho e a Pintura - Série sobre Baco - Jean-Antoine Gros
Título: Baco e Ariadne (obra de 1821).
O parisiense Jezn-Antoine Gros, nasceu em 1771 e morreu em 1835.
É um dos representantes do romantismo francês.
domingo, outubro 27, 2013
Amigos & Vinos no Encontro de Vinhos Curitiba. Chegando o dia...
Com três produtores argentinos, a Amigos & Vinos participa pela primeira vez de uma edição do Encontro de Vinhos.
Finca Don Carlos (Tupungato), Bodega Hinojosa (Tunuyan) e Viña Bodega Azul (Tupungato).
As três localizadas nas melhores regiões de Mendoza, onde a altitude oferece a amplitude térmica ideal para o desenvolvimento das uvas.
Ainda não conheço esses vinhos, estou bastante curioso.
http://www.amigosevinos.com.br/site/
Garanta já o seu ingresso!
Dia 9 de novembro, das 14 às 22 horas, no Hotel Bourbon Convention: Rua Cândido Lopes, 102 - Centro - Curitiba.
Ingressos no local: 60 reais.
Ingressos antecipados pelo site: 50 reais http://www.encontrodevinhos.com.br/venda-de-ingressos/
Sócios da SBAV ou ABS: 30 reais.
O Vinho e a Pintura - Uma série retratando Baco - Annibali Carracci
O afresco está no teto do Palazzo Farnese, em Roma.
Começou a ser pintado em 1597 e ficou pronto em 1602.
O título é Triunfo de Baco e Ariadne.
Baco é o nome dado pelos romanos ao deus grego Dionísio, deus do vinho, dos excessos sexuais e da natureza.
As festas em sua homenagem eram chamadas bacanais.
Na mitologia, Ariadne era filha do rei Minos (de Creta) e se tornou esposa de Dionísio depois de ser deixada por Teseu.
Começou a ser pintado em 1597 e ficou pronto em 1602.
O título é Triunfo de Baco e Ariadne.
Baco é o nome dado pelos romanos ao deus grego Dionísio, deus do vinho, dos excessos sexuais e da natureza.
As festas em sua homenagem eram chamadas bacanais.
Na mitologia, Ariadne era filha do rei Minos (de Creta) e se tornou esposa de Dionísio depois de ser deixada por Teseu.
Marcel Vive da Tecnologia. Mathias Vive dos Ensinamentos do Avô.
Acordar ainda de noite, ir para os vinhedos e trabalhar até o anoitecer não é nenhuma novidade para Mathias.
Utilizar boas barricas, elaborar vinhos com carinho também não.
Aprendeu com o avô a utilizar leveduras indígenas, tratar a terra com respeito, trabalhar com amor e engarrafar apenas o que dá prazer em beber.
Claro que os vinhos de Mathias são maravilhosos, mas vendem bem menos que alguns vinhos medíocres produzidos na vizinhança.
O avô não ensinou nenhuma técnica de marketing, nem a investir hoje para ganhar em um ano ou dois.
Os vizinhos vendiam os vinhos para diversos países, participavam de feiras, gastavam fortunas em viagens e produziam vinhos comuns.
A vida de Mathias era sempre a mesma, não vendia nem mais, nem menos. Produzia sempre pouco e todos os anos sobravam algumas garrafas da safra passada. Não conseguia vender tudo, mesmo produzindo os melhores vinhos da região.
Marcel, filho mais velho, passou 5 anos em Nova York trabalhando em operações com a Nasdaq. Vinho não era o negócio dele, mas modernidade sim.
Passou, como sempre, 15 dias de férias com a família e dessa vez resolveu palpitar.
Já no primeiro dia acordou ainda de noite e acompanhou o pai nos vinhedos, conversou sobre os dias de hoje e sobre as coisas que há bem pouco tempo vivíamos sem, mas se tornaram indispensáveis.
Mathias é um típico vigneron, não quer saber de conversa mole!
No segundo dia Marcel enviou e-mails convidando todos os vignerons da região para uma prova às cegas, avisou sites especializados, blogs, jornais, guias, revistas, movimentou prefeituras, cooperativas e todas as appellations do Languedoc.
Mathias, quando soube, balançou a cabeça, tinha vergonha de competir com os amigos.
Um dia antes da prova lá estavam as garrafas, os jurados e nem Marcel acreditava no que havia feito.
Uma comissão organizadora preparou as garrafas, taças e tudo estava impecável.
Foram 209 amostras, só brancos e tintos.
Os vignerons acompanharam de perto, sem saber que garrafas provavam os jurados.
Marcel havia nascido nos vinhedos, escolheu outra profissão por vocação, mas amava aquilo.
Foram 2 dias de provas, não dava para provar tudo em um dia só.
Quando saiu o resultado, Mathias ficou vermelho como um pimentão.
Vergonha de fazer o melhor, vergonha de parecer superior, de precisar falar com jornalistas e de olhar para os amigos do dia a dia que não paravam de dar os cumprimentos.
Naquele ano não sobrou nem uma garrafa.
No ano seguinte precisou subir os preços.
Dois anos depois Mathias se acostumou com a fama, mas continua humilde como um franciscano.
Marcel continua na Nasdaq, mas organiza a prova todos os anos.
Mathias não usa celular, internet e também não dirige, mas continua elaborando vinhos como fazia o seu avô.
-"uma vez na vida precisamos desse tipo de tecnologia. Meu filho fez isso por mim! O fundamental é fazer vinhos com amor. Isso eu sempre fiz".
Assinar:
Postagens (Atom)
Vinha Grande - Douro 2022 - Casa Ferreirinh
Cereja, bergamota, violeta... na boca tem corpo médio, taninos macios, sensação de frescor, sabor repetindo o nariz, mas com um toque de e...
-
Luigi Bosca é daqueles produtores que não coloca no mercado nada que não mostre qualidades. Esse é um Malbec de terroir. Como deve se...
-
Vinho perfeito para mostrar a evolução do Uruguai na produção de vinhos de qualidade. Eu conheci esses vinhedos de Syrah e fiq...
-
Se você não gosta de cinema fora do convencional sugiro que deixe esse texto de lado, escolha um bom vinho, pegue sua taça, coloq...





