domingo, outubro 27, 2013

Marcel Vive da Tecnologia. Mathias Vive dos Ensinamentos do Avô.


Acordar ainda de noite, ir para os vinhedos e trabalhar até o anoitecer não é nenhuma novidade para Mathias.
Utilizar boas barricas, elaborar vinhos com carinho também não.
Aprendeu com o avô a utilizar leveduras indígenas, tratar a terra com respeito, trabalhar com amor e engarrafar apenas o que dá prazer em beber.
Claro que os vinhos de Mathias são maravilhosos, mas vendem bem menos que alguns vinhos medíocres produzidos na vizinhança.
O avô não ensinou nenhuma técnica de marketing, nem a investir hoje para ganhar em um ano ou dois.
Os vizinhos vendiam os vinhos para diversos países, participavam de feiras, gastavam fortunas em viagens e produziam vinhos comuns.
A vida de Mathias era sempre a mesma, não vendia nem mais, nem menos. Produzia sempre pouco e todos os anos sobravam algumas garrafas da safra passada. Não conseguia vender tudo, mesmo produzindo os melhores vinhos da região.
Marcel, filho mais velho, passou 5 anos em Nova York trabalhando em operações com a Nasdaq. Vinho não era o negócio dele, mas modernidade sim.
Passou, como sempre, 15 dias de férias com a família e dessa vez resolveu palpitar.
Já no primeiro dia acordou ainda de noite e acompanhou o pai nos vinhedos, conversou sobre os dias de hoje e sobre as coisas que há bem pouco tempo vivíamos sem, mas se tornaram indispensáveis.
Mathias é um típico vigneron, não quer saber de conversa mole!
No segundo dia Marcel enviou e-mails convidando todos os vignerons da região para uma prova às cegas, avisou sites especializados, blogs, jornais, guias, revistas, movimentou prefeituras, cooperativas e todas as appellations do Languedoc.
Mathias, quando soube, balançou a cabeça, tinha vergonha de competir com os amigos.
Um dia antes da prova lá estavam as garrafas, os jurados e nem Marcel acreditava no que havia feito.
Uma comissão organizadora preparou as garrafas, taças e tudo estava impecável.
Foram 209 amostras, só brancos e tintos.
Os vignerons acompanharam de perto, sem saber que garrafas provavam os jurados.
Marcel havia nascido nos vinhedos, escolheu outra profissão por vocação, mas amava aquilo.
Foram 2 dias de provas, não dava para provar tudo em um dia só.
Quando saiu o resultado, Mathias ficou vermelho como um pimentão.
Vergonha de fazer o melhor, vergonha de parecer superior, de precisar falar com jornalistas e de olhar para os amigos do dia a dia que não paravam de dar os cumprimentos.
Naquele ano não sobrou nem uma garrafa.
No ano seguinte precisou subir os preços.
Dois anos depois Mathias se acostumou com a fama, mas continua humilde como um franciscano.
Marcel continua na Nasdaq, mas organiza a prova todos os anos.
Mathias não usa celular, internet e também não dirige, mas continua elaborando vinhos como fazia o seu avô.
-"uma vez na vida precisamos desse tipo de tecnologia. Meu filho fez isso por mim! O fundamental é fazer vinhos com amor. Isso eu sempre fiz".

sábado, outubro 26, 2013

Salton Intenso Marselan e Teroldego 2011 - Rio Grande do Sul - Brasil


A Marselan nasceu de um corte entre a Cabernet Sauvignon e a Grenache, produzido por Paul Truel, perto da cidade de Marseillan (Languedoc), por isso o nome.
A Teroldego é uma variedade tinta italiana, provavelmente do Vêneto, mas cultivada principalmente no Trentino-Alto Ádige.
Por aí já dá pra ver que o corte é raro, pouco comum e por isso também é um teste da vinícola.
Por enquanto, o vinho só é vendido (em caixa) pelo site deles ou pra quem visitar a vinícola.
As uvas são da Campanha (Teroldego) e da Serra Gaúcha (Marselan).
No nariz é bastante aromático, com muita fruta (o vinho não passou por madeira): amora, ameixa, framboesa e também pinho.
Na boca tem corpo médio, boa acidez, taninos médios, sabor frutado com boa intensidade e textura delicada.
O final é médio.
Preço: Caixa com 6 unidades por R$ 168,00 no site da vinícola: http://site.salton.com.br/produtos/contemporaneo#salton-intenso-marselan-e-teroldego
A vinícola ainda não decidiu se vai colocar o vinho no mercado, portanto, só no site mesmo.
Bom para quem gosta de vinhos bastante frutados.
Nota: 87/100

O Vinho e a Pintura - Bela obra para um sábado! - Caesar van Everdingen - 2


O holandês Cesar Pietersz ou Cesar Boetius van Everdingen, nasceu em Alkmaar, em 1616 e morreu em 1678. 
Título: Bachus en Ariadne.

Miguel Sabe o que Faz...


O final de tarde naqueles dias de verão no Alto Douro era na verdade o início da noite. Tarde. 10 da noite.
José Mendes preparava uma sopa de legumes, uma taça de vinho e pouco depois já estava na cama.
Faz dois anos que ficou sozinho.
Cláudia foi embora com um trabalhador da colheita e não deu mais noticias.
Seu filho Paulo mora em Madrid e só aparece para as festas de final de ano. O que continua igual, sem nenhuma alteração negativa é a qualidade dos vinhos.
Zé Mendes não economiza na hora de produzir um dos melhores vinhos da região. Sabe que a qualidade das uvas é excelente.
Vinhas velhas, local ensolarado, terroir perfeito.
Por isso compra as melhores barricas, boas garrafas, rolhas de qualidade e um rótulo moderno. Bem moderno!
Miguel trabalha com ele desde os tempos de vacas magras. Trabalha e atrapalha. É um trapalhão. Se mete em tudo, da palpite em tudo e quer fazer tudo. Do seu jeito.
O ano de 2003 ficou na história não pelos vinhos, mas pelas trapalhadas de Miguel.
O baixinho com cara de envocado cismou que faria o corte dos vinhos. Antes da colheita tocou no assunto com Zé, mas ele deu risada, debochou do amigo.
Numa prova dos vinhos das barricas novas repletas de Touriga Nacional, Tinta Roriz e Touriga Franca, Zé falou em voz alta: "Amanhã começo a provar para decidir o corte"
Miguel tinha o gosto diferente de Zé. Gostava de vinhos macios, cheios de fruta e mais fáceis de beber.
Zé dizia que entendia o mercado, que os vinhos precisam ter corpo, cor, potência...
Quando Miguel olhou pela janela da cozinha, viu Zé Mendes servindo-se da sopa e correu para a Adega.
Colocou em um frasco Touriga Nacional, em outro a Touriga Franca e em outro a Tinta Roriz. Entrou no laboratório e começou suas experiências.
Passou a madrugada inteira.
Pela manhã Zé Mendes encheu os frascos e foi para o laboratório. Porta trancada!
Zé foi atrás de Miguel e perguntou o que teria acontecido. Miguel do alto de seu 1 metro e meio e de sua cara de mau disse em voz alta: "Trabalhamos juntos há 21 anos, fiz tudo que se pode fazer nos vinhedos, participei de tudo, menos do corte final. Este ano não abro mão"
-Ficou louco Miguel? Somos amigos, mas sem exagero, quem manda aqui sou eu!"
No exato momento uma camionete (lá chamada de Carrinha) de uma importante loja de Matosinhos parou. Desceram 3 pessoas que pediram para provar o vinho para uma possível encomenda. Quando Zé Abriu a boca para dizer que os vinhos não estavam prontos Miguel atropelou: "Se faz favor, entrem".
Zé quase partiu pra cima de Miguel, mas o baixinho olhou com cara de poucos amigos e acalmou o patrão.
-A garrafa está sem rótulo, fiz o corte nesta madrugada.
-Por que a madrugada, alguma superstição?
-Sim, faço sempre em noites de lua cheia e sem luz artificial.
Zé quase caiu na risada, mas tinha vontade de pular no pescoço de Miguel.
Enquanto isso ouvia suspiros e elogios:
-Que elegância...
-Equilíbrio...
-Explosão de frutas...
Zé provou uma taça e também aprovou.
Mais tarde Miguel se vangloriava.
Zé não dava o braço a torcer, mas engarrafou os vinhos com o corte do amigo.
As garrafas foram vendidas com rapidez o que leva a crer numa nova disputa para os próximos anos.

sexta-feira, outubro 25, 2013

Villa Francioni VF 2006 - São Joaquim (SC) - Brasil


Não é qualquer produtor brasileiro que coloca no mercado um vinho da safra de 2006, 7 anos após a colheita.
Este é realmente um vinho especial.
Passou 14 meses em barricas francesas.
Tem 13,3% de álcool.
Corte de Cabernet Sauvignon, Merlot, Cabernet Franc e Malbec.
A complexidade do vinho mostra a capacidade de evolução e o acerto do produtor.
No nariz boa intensidade.
As frutas ainda estão intactas. amora, cassis, cereja...
Um toque floral.
Os sinais dos tempos e da complexidade aparecem com os aromas de chocolate, tabaco, baunilha, pimenta, um leve toque herbáceo, café...
Na boca tem corpo médio a encorpado, boa acidez.
Taninos bem finos, médios.
Textura aveludada, delicada.
Notas defumadas e de pimenta.
final longo.
Nota: 89,5/100
Preço: R$ 160,00

Tudo sobre as regiões francesas - Bourgogne - Parte 75 - Sub-Região Hautes-Côtes-de-Nuits - AOCs Bourgogne Rosé Hautes-Côtes-de-Nuits e Bourgogne Hautes-Côtes-de-Nuits Clairet



As AOCs Bourgogne Rosé Hautes-Côtes-de-Nuits e Bourgogne Hautes-Côtes-de-Nuits Clairet são Appellations regionais que modem adicionar no rótulo o nome da sub-região.
A área da AOC cobra 20 comunas da Côte d'Or em 675 hectares de área.
Os vinhedos ficam em altitudes que variam entre 300 e 400 metros, nas encostas dos vales.
Os solos são de calcário e argila na superfície e calcário e marga na parte mais profunda.
Principalmente pela altitude, as uvas da AOC, normalmente são colhidas uma semana depois da maioria das outras AOCs da região.
Os rosés (sempre elaborados com a Pinot Noir) oferecem notas bastante frutadas com framboesa, morango, groselha e algumas frutas negras, além de um toque floral.
No caso da AOC Clairet, as variedades: Pinot Gris, Chardonnay e Pinot Blanc, também são usadas (máximo 15%).
É proibido o uso de Chips de madeira.

Sex and The Kitchen - Livro de Alessander Guerra, é a dica de Jane Prado.


Essa semana a editora Melhoramentos lançou o livro Sex and The Kitchen. Um romance cheio de temperos apetitosos para transformar não somente a cozinha num lugar em mais um cômodo sensual da casa, como tem o propósito de mostrar que as pessoas podem perder momentos especiais por pensarem demais e imaginarem o que os outros irão pensar.
O livro nos mostra que o diálogo, o amor, o sexo e a cozinha andam juntos e foram a equação exata da felicidade.
Além disso, o livro é o primeiro lançamento literário multiplataforma no Brasil. São mais de 80 receitas disponibilizadas online, além de uma rádio com todas as músicas que marcaram as cenas dos personagens, permitindo assim que a imaginação viaje mais longe na história.
A noite de autógrafos, foi nesta segunda-feira, na Livraria Cultura do Conjunto Nacional. 
Bons momentos em que o escritor, Alessander Guerra, pode confraternizar com amigos e leitores, regado a muita alegria, comidinhas especiais dos chefs que participaram do livro e espumante ".NERO".

Livro: Sex and the Kitchen
Escritor: Alessander Guerra
Editora: Melhoramentos
Assunto: romance e gastronomia
Preço: R$39,90

Vinha Grande - Douro 2022 - Casa Ferreirinh

Cereja, bergamota, violeta...  na boca tem corpo médio, taninos macios, sensação de frescor, sabor repetindo o nariz, mas com um toque de e...