quinta-feira, janeiro 17, 2013
O Vinho e a Pintura - William Hogarth - 1
William Hogarth, foi um pintor, gravador e ilustrador inglês.
Nasceu em Londres em 10 de Novembro de 1697 e morreu na mesma cidade em 1764.
Essa obra faz parte de uma série de 8 pinturas chamada: A Rake's Progress.
Nasceu em Londres em 10 de Novembro de 1697 e morreu na mesma cidade em 1764.
Essa obra faz parte de uma série de 8 pinturas chamada: A Rake's Progress.
Gianpaolo o Caçador de Turistas
No principal café da única praça de um vilarejo piemontês Gianpaolo senta-se pela manhã, abre o jornal, pede um expresso e espera.
Gianpaolo é um típico italiano boa pinta, alto, magro, bem barbeado, cabelos negros caminhando para o grisalho e os olhos azuis que não cansam de reparar em volta.
A falta de emprego no ramo de administração de empresas empurrou Gianpaolo para o ramo do turismo.
Bem, é melhor parar por aqui, os turistas estão chegando.
Japoneses, americanos, ingleses, canadenses e até alguns brasileiros descem do ônibus e correm para o banheiro, pedem café, conversam e procuram informações.
Um guia Parker aparece nas mãos de um turista americano.
É a deixa para Gianpaolo entrar em cena: procuram bons vinhos?
-Gostaríamos de visitar alguma vinícola na região.
Estão falando com a pessoa certa, prazer em conhecê-los Gianpaolo Di Ricco.
A partir daí outros turistas se juntaram a Gianpaolo e o dia estava garantido.
Foram várias visitas entre copos e mais copos de Barolos, Barbarescos, Dolcetos e até um almoço com vista para vinhedos centenários.
15% do que os turistas consumiam era de Gianpaolo.
Tiravam fotos com ele, marcavam encontro para o dia seguinte e não faltavam convites para que ele fosse visitá-los em seus países.
Estava tudo perfeito não fosse a beleza de Gianpaolo.
Uma inglesa de nome Karine aproveitou a empolgação do marido entre um copo e outro e conversava em voz baixa com o italiano.
Foi o suficiente para o marido se aproximar, balançar a cabeça para Gianpaolo e se retirar.
Karine foi atrás dele, assim como os americanos, japoneses e canadenses.
Os brasileiros não se abalaram, se aproximaram de Gianpaolo e perguntaram: o que houve?
Sou italiano e os ingleses não entendem isso.
Falávamos de assuntos familiares, filhos cachorros, minha mulher grávida, o clima na inglaterra...
A mulher de um dos brasileiros não se conteve: se você fosse baixinho, gordo e careca não haveria problema.
Esse tipo de problema não, mas teria menos trabalho e estaria solteiro até hoje.
quarta-feira, janeiro 16, 2013
A revolucionária invenção das garrafas para vinho
Foram os romanos que desenvolveram o vidro moldado
no sopro. Antes disso, vários ensaios de garrafas para o vinho já existiam,
como na foto acima.
Quem já foi na Ilha de Murano, ao lado de Veneza,
sabe bem do que estou falando.
Mas, até o final do século 17, as garrafas eram
caras e raramente eram utilizadas para o vinho.
Foi graças aos ingleses, no século 18, com a
invenção do forno a carbono, que a garrafa se tornou mais sólida, mais espessa
e mais barata.
Sir Kenelm Digby é
considerado o inventor da garrafa.
Eram garrafas de vidro fumê, com
espessura reforçada no gargalo para que a rolha fosse colocada com um
martelo.
Na época, os ingleses importavam uma grande
quantidade de tonéis de 900 litros diretamente de Bordeaux.
Assim, ficou muito mais fácil distribuir o vinho em
garrafas de 750 ml, média de consumação de um homem, lembrando que os vinhos, na
época, tinham em média de 7 a 9 % de álcool, dependendo da safra.
Logo veio a percepção de que o vinho envelhecia
muito melhor e durava muito mais tempo nas garrafas de vidro.
A noção de envelhecimento do vinho foi outra, desde
a invenção da garrafa.
A cor das garrafas na época eram quase negras, pela
presença de mais ferro na fabricação.
Hoje as garrafas são esverdeadas
para proteger melhor os vinhos dos raios ultra violetas, que prejudicam a
conservação.
Garrafas transparentes, são usadas hoje em dia,
para vinhos rosés e licorosos, para que o consumidor aprecie melhor a bela cor
dos vinhos.
Na França, o vinho engarrafado, se popularizou
no final do século 18, primeiro na Champagne, depois no resto do país.
terça-feira, janeiro 15, 2013
A História do Vinho e o papel da França - Parte 6 (última)
O Século 20
Para proteger a tipicidade e a qualidade de seus vinhos, a
França criou o sistema de AOC
(Appellation d’Origine Controlée), que além de forçar o salto de qualidade,
pelo desenvolvimento da agronômico e enológico, se transformou num selo que
qualidade reconhecido mundialmente.
Mais tarde, nos anos 60, foram criados os Vins de Pays, para
aumentar o consumo e para reestruturar os vinhedos dando mais qualidade.
Os progressos técnicos se difundiram, fazendo a economia vinícola francesa uma referencia mundial.
1935
Seleção de parcelas, melhora qualitativa, defesa da
tipicidade: O trabalho feito antes só pelos monges foi estendido politicamente
pela criação do INAO (Instituto Nacional das Appellations d’Origine - Foto da sede do INAO em Paris). Nasceram
as primeiras AOCs.
1945
Como se fosse para marcar uma época de paz, com o fim da
Segunda Grande Guerra, os vinhos dessa safra de Bordeux foram considerados os
melhores do século 20.
1955
Foi criado o diploma universitário de enologia, com a
finalidade de difundir experiências tecnológicas e cientificas.
Oscar e o melhor vinho do mundo
Era mais um dia de sol no Alentejo, as cores das flores minúsculas
pintavam a paisagem de forma incrível.
Estava na estrada de terra que
levava até a porteira da adega e já era possível ver o senhor Oscar (la se
fala Óscar) mexendo nas vinhas.
Puxava umas folhas para um lado, cortava
pequenas uvas que tirariam força das demais durante o amadurecimento e
fazia cara de feliz.
Me aproximei enquanto olhava as parcelas de
Alicante Bouschet e dizia: teremos uma colheita maravilhosa!
Me
levou até a sala das barricas (todas francesas de altíssima qualidade) e
no caminho ía dizendo que aquele era o melhor vinho do Alentejo e ainda
por cima com um preço espetacular.No mesmo momento comecei a pensar em vários alentejanos, e porque não, vários produtores que pensam a mesma coisa dos seus vinhos.
É como um filho!
Aquele filho saudável e bonito ou aquele vesgo e dentuço sempre são os mais belos aos olhos dos pais.
Até o tempo de gestação é bastante parecido, após o inverno começam os trabalhos que só terminam no fim do verão.
Comecei a provar os vinhos e me limitei a escutar o que dizia Óscar.
Entre críticas a outros vinhos e observações muitas vezes exageradas sobre os seus vinhos eu continuei calado.
Fui obrigado a romper o silêncio quando Óscar me perguntou: então, não é o melhor vinho do mundo?
Como já esperava pela pergunta tive tempo suficiente para pensar na resposta: "sim, todos os bons vinhos podem ser os melhores do mundo, depende do gosto de cada um".
Óscar riu e não se animou a perguntar o meu gosto, se contentou em saber que era um bom vinho, e realmente é.
Mas quem conhece um simpático e típico alentejano sabe o que estou dizendo: no Alentejo a cada ano aparecem produtores com os melhores vinhos da terra!
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