terça-feira, agosto 16, 2011

Dal Pizzol Merlot 2008 - Serra Gaúcha - Brasil



A variedade que começa a virar emblemática no Brasil também está em um dos vinhos  da Dal Pizzol.
Um vinho para mostrar que existem vinhos brasileiros de boa qualidade numa faixa de preço interessante.
Este vinho ainda é bastante jovem, não pode ser considerado um vinho de guarda, mas acredito que melhore nos próximos 2 ou 3 anos.
A cor já mostra bem a concentração do vinho. 
Rubi, bem escuro.
O vinho é jovem e frutado.
No nariz notas de amora, cereja, ameixa, groselha e violeta.
Na boca tem corpo médio, taninos macios e bom equilíbrio.
O final é longo com alguma especiaria.
Preço em torno de 35 reais. 

domingo, agosto 14, 2011

O Vinho e a Pintura - Eric Christensen 27

Título: Los Olivos

Julie resistiu ao Château d'Yquem, Julien resistiu ao tempo.


Não fosse um pensamento de 20 anos a vida de Julien seria uma maravilha.
Trabalhava como crítico de vinhos e gastronomia no principal jornal da França, ganhava muito bem, fazia sucesso com as mulheres, tinha tudo que queria e alguma sobra, mas...
Aos 50 anos uma lembrança torturava os pensamentos, criava sonhos, hipóteses, até um pouco de sofrimento.
Aos 30 anos, conheceu Julie.
Era novato no jornal, foca na linguagem jornalística.
Ela trabalhava na editoria internacional, mas conhecia vinhos como poucos.
Julie era nascida e criada nos vinhedos de sua família em Bordeaux e só não cuidava dos vinhedos porque nasceu mesmo para escrever.
O trabalho de um foca é duro, mas para um crítico enogastronômico nem tanto.
Os dois não se desgrudavam.
Almoçavam juntos, escreviam em máquinas Olivetti uma de frente pra outra, falavam pelos cotovelos, gostavam de música, rugby e claro: vinho e gastronomia.
Isso durou pouco mais de seis meses.
Julie partiria para o Canada.
Seria correspondente internacional no Quebec.
Julien tinha em mente um ataque mortal, uma investida sem saída para Julie.
Julie pensava diferente, pensava que se não havia acontecido antes agora, às vésperas da partida nada poderia acontecer.
Para a despedida, nada melhor que um bom vinho, boa comida e tudo que um restaurante 2 estrelas no Guia Michelin (3 seria demais para um foca) pode oferecer. 
O jantar foi todo planejado.
Restaurante certo, vinho correto e velas.
Claro, luz de velas!
Nenhum cliché escapou do controle de Julien.
A moda na época era o vol-au-vent, então: deux, s'il vous plaît!
O branco da Borgonha combinou perfeitamente, Julie estava com o rosto rosado, então Julien atacou mais uma vez: joues de boeuf cuisinées au vin, s'il vous plaît!
Continuou na Borgonha que para ele não havia nada mais elegante, feminino e até sensual.
Julie ficou com as bochechas roxas com o tinto de Gevrey-Chambertin.
As bochechas de boi estavam excelentes e o vinho impecável.
Hora do penúltimo ataque: Profiterole au chocolat s'il vous plaît!
Hoje em dia ele pediria outra sobremesa, mas enfim, a moda também dita a haut cuisine.
O ataque final foi um Château d'Yquem.
Uma extravagância e tanto para um foca.
Mas por Julie valeria a pena.
Com as bochechas roxas e sorriso fácil os dois partiram pela Avenue Montaigne e Julien disse tudo que precisava dizer depois de 7 meses de paixão.
Paixão sem beijo, sem fim.
Julie explicou que estava de partida e não queria que nada a fizesse fraquejar.
Contou que esperava por esse momento desde o primeiro encontro, mas era tarde demais.
Julien tentou a última cartada com um beijo cinematográfico já na esquina com a Avenue George V.
Beijo que deixou Julie sem fôlego, sem rumo, sem ar.
Um au revoir sussurrado foi o último som que sobrevive por 20 anos nos ouvidos de Julien.
Os olhos azuis arregalados de Julie eram lembrança traumática para Julien 
Casou, teve dois filhos, separou, casou de novo e nada do pensamento ir embora.
Julie sumiu do mapa.
Saiu do jornal e ninguém do fechado mundo jornalístico francês tinha noticias dela.
Na mesma Avenue Montaigne, perto do Plaza Athenée, Julien encontrou uma pista que mudou sua vida para sempre.
O Guide Hachette deu 3 estrelas para um vinho de Bordeaux.
Elogiou a produtora do vinho contando que havia largado o jornalismo para seguir a tradição familiar.
As 5 horas de trem pareceram semanas.
Mas valeram a pena!

sábado, agosto 13, 2011

O Patrimônio de Andrea é o conhecimento




Junte num caldeirão daqueles de bruxa uma colher de desespero, uma pá de dívidas, uma bacia de incerteza e apenas uma pitada de esperança.
Foi nessa pitada que o jovem Andrea se apegou para criar um vinho que povoa o sonho de qualquer enófilo que se preze.
Nos anos 90 a vinícola estava completamente falida.
Se arrastou até o terrível ano de 2002, quando a safra ruim não permitiu que Andrea enchesse uma única garrafa.
Dos tempos difíceis Andréa guardou um terno bem cortado e uma gravata vermelha com um lenço azul claro na lapela.
Guardou também a lembrança traumática do dia da venda da vinícola.
Gianmarco pagou cada centavo das dívidas de Andrea e ficou com os vinhedos, as barricas, os tanques e a tradição.
Para Andrea a princípio não havia sobrado nada, mas só a principio.
Na verdade o conhecimento guardado em baixo daqueles cabelos negros apesar dos 57 anos era um patrimônio e tanto.
Com o pouco dinheiro que pegou pela vinícola, Andréa plantou 1 hectare de vinhedos, conseguiu mais dois hectares emprestados de um produtor de idade avançada que não queria e não podia mais trabalhar com tanta dedicação.
Na primeira colheita Andrea trabalhou com a ajuda dos amigos. Colheram, emprestaram tanques, barricas, mas quem cuidava do vinho e da vinificação era Andréa.
A produção foi pequena e as garrafas desapareceram apenas com os amigos que sabiam exatamente do que Andrea era capaz.
Aliás Andréa era amigo de todos os moradores da região e era conhecido em toda a Toscana, mas nesse momento apenas 4 ou 5 continuaram merecendo esse título.
Na segunda colheita Andréa conseguiu mais hectares e um envio aos Estados Unidos que lhe rendeu 95 pontos do famoso crítico americano.
Aí foi uma loucura.
Os trabalhos na vinícola que foi de Andrea continuavam, mas os vinhos pararam no esquecimento.
Foi aí que os 4 ou 5 amigos (não sei ao certo) compraram tudo que havia sido de Andréa.
Arrumaram como nos velhos tempos, pegaram as garrafas antigas que ainda repousavam na adega e aí sim, convidaram Andréa para uma festa.
Recomendação: é obrigatório o uso de terno.
Quando Andréa chegou foi logo encapuzado e levado no meio a uma série de brincadeiras para o local “desconhecido”.
Quando o capuz foi tirado, os amigos deram apenas uma informação: viramos o jogo, recuperamos o teu tesouro que em mãos estranhas não passa de um pedaço de terra.
O lenço da lapela virou lenço de enxugar lágrimas, os 4 ou 5 amigos viraram sócios, os vinhos mal feitos dos tanques foram para o ralo e uma pitada de vitória mudou completamente o conteúdo do caldeirão.

Champagne safrada pode ser boa opção para o dia dos pais


Pelo preço de uma champagne normal, elaborada com vinhos de diversas safras, é possível comprar uma Champagne safrada.
A Champagne safrada é elaborada com as melhores uvas de uma mesma safra. 
A Louise Brison é elaborada de forma artesanal, com todo cuidado.
50% Chardonnay e 50% Pinot Noir com as uvas brancas fermentadas em barrica.
No nariz, pão na chapa, brioche, amêndoa, damasco seco e flores brancas.
Na boca tem uma cremosidade que só as verdadeiras champagnes e espumantes especiais apresentam.
Tem boa estrutura, boa acidez e frescor.
Final longo com notas cítricas.
Muito elegante.
170 reais na Cave Jado - www.cavejado.com.br

Vinha Grande - Douro 2022 - Casa Ferreirinh

Cereja, bergamota, violeta...  na boca tem corpo médio, taninos macios, sensação de frescor, sabor repetindo o nariz, mas com um toque de e...