sábado, janeiro 24, 2009

Passeio pela Borgonha - Côte de Beaune/Parte 2

mapa cedido gentilmente pelo site oficial dos vinhos da borgonha www.vins-bourgogne.fr Seguindo pela Borgonha vamos viajar pela Côte de Beaune. Beaune é conhecida como a capital dos vinhos da Borgonha, não é pra menos, possui lojas de vinhos por toda parte, restaurantes fantásticos (veja o Le Clos du Cèdre www.lecedre-beaune.com) e tem um hotel Ibis, com preço excelente, bem no meio dos vinhedos, o nome é Ibis La Ferme aux vins. Vamos aos vinhos. Antes mesmo de chegar na cidade de Beaune (é sempre bom chegar em Beaune!) já deparamos com três vilas: Chorey-lès-Beaune, Ladoix e Pernand-Vergelesses, em Ladoix posso destacar o Domaine Cornu com seu tinto Le Bois Roussot, com aroma de cerejas e bem delicado, com bons taninos e equilibrio perfeito. Em Pernand-Vergelesses, situada entre dois vales a reputação é ainda maior. Seus vinhos são excelentes tintos e excelentes brancos, 3 destaques: Baptiste Gay Branco, Domaine Michel Joannet Tinto e Pierre Marey et Fils tinto. Os três com boa relação qualidade preço. Em Chorey-lès-Beaune os vinhos eram conhecidos como medicinais na antiguidade, hoje o destaque é o domaine de Catherine et Claude Maréchal com um tinto bom e barato (para nós brasileiros que estamos acostumados com preços astronômicos, é claro). Bem pertinho está Aloxe-Corton, uma bela vila conhecida pelos brancos Corton-Charlemagne e os tintos com grande potêncial de guarda. Destaco os Branco Bertrand Ambroise (um pouco caro) e o Pierre Marey et Fils (um pouco mais barato). Tinto nenhum. Seguimos até Savigny-lès-Beaune, lá a hospitalidade reina (claro, não vá com um guia do Robert Parker na mão, na borgonha ele não muito querido). A Confraria de la Cousinerie de Bourgogne tem um juramento: "Garrafas sobre a mesa e coração sobre a mão". Os vinhos são um pouco mais baratos e alguns muito bons, prove o Les Bourgeots (tinto) do Domaine Rodolphe Demougeot ou os vinhos do Domaine Jean Fery et Fils com bons preços e qualidade incrível. Entre os brancos (já que estamos na borgonha) o Domaine Jean-Marc et Hugues Pavelot faz vinhos impecáveis. Em volta da cidade de Beaune, depois de aproveitar bem a cidade, destaque para o branco de Yves Darviot (o Clos des Mouches) e o tinto de Albert Morot. Mais alguns poucos quilômetros e chegamos a Pommard, talvez a região da Borgonha mais conhecida no exterior. Os vinhos são tânicos e podem ser guardados por muitos anos. Destaque para Les Rugiens do Domaine Lejeune e Les Épenots do Domaine Moillard. Melhor custo qualidade para o Domaine de Courcel. Em Volnay, a cidade é um cartão postal e os tintos são mais leves e elegantes que os de Pommard. Destaque para o Domaine Louis Boillot et Fils. Em Monthélie um único destaque, o Château de Dracy (não estranhe é Château mesmo, como em Bordeaux) com um tinto bom e barato. Em Auxey-duresses o grande destaque é o vinho branco de Olivier Leflaive. Bem ao lado, em Saint-romain os brancos são maioria e a vila uma bela surpresa. O Domaine des Margotières faz grandes brancos a preços justos e os tintos do Domaine Germain Père et Fils, são simpesmente fantásticos (o Sous le Château 2003 recebeu pontuação máxima do Guide Hachette). Chegamos a Meursault, um templo para os amantes dos grandes brancos. Temos outra vez Olivier Leflayve, Patrick Javillier e Château Perruchot como destaques. Puligny Montrachet mais brancos excepcionais! Louis Jadot vende vinhos a 30 euros e em Montrachet o Domaine de la Romanée-Conti faz um branco de sonhos por um preço de pesadelo. Vinho branco barato encontramos em Saint-aubin nos vinhedos de Marc Colin et Fils, por cerca de 15 euros, um vinhaço! Em Santenay os vinhos são menos famosos e os preços excelentes. O Beaurepaire do Domaine de la Buissière custa menos de quinze euros e é um excelente branco. entre os tintos o Domaine Capuano-Ferreri et Fils vende o clos Rousseau mais barato ainda. Para terminar, em Maranges o Domaine Maurice Charleux et Fils vende seu tinto Les Clos Roussots por 11 euros. Continuo com a Borgonha!

quarta-feira, janeiro 21, 2009

Parabéns Vignerons do Mundo!

Hoje (21/01) é dia de Saint Vincent de Saragosse. Pela sonoridade do nome Saint vin Cent (em francês sãn vãn sãn que poderia ser traduzido pela fonética santo vinho santo) virou o padroeiro dos viticultores, na França vignerons. Muitas vezes sua imagem é mostrada com um cacho de uvas, por ser patrono dos viticultores. Ele nasceu em Zaragoza, na Espanha, onde foi diácono do bispo Valère. Como o bispo tinha um problema na fala, Vincent era o seu representante. Durante uma perseguição religiosa nos anos 300 os dois foram aprisionados e Vincent condenado a tortura por ter confessado sua fé. Morreu em 22 de Janeiro de 304, seu corpo foi jogado aos corvos, mas eles nada fizeram, depois tentaram jogá-lo ao mar amarrado em uma pedra, o corpo desapareceu e Saint Vincent apareceu para uma mulher e indicou o local onde estavam seus restos mortais. Depois disso suas relíquias passaram por várias igrejas.
Hoje tem festa para o santo na Borgonha e em outras regiões vinícolas. Eu aproveito para cumprimentar meus amigos vignerons: Paolo Giusti, Rui Cunha, Gonçalo Souza Lopes, Julian Reynolds, Nelson Martins, Fabienne e Giles Ballorin, Sophie e Laurent Poitevin, Isabel Fonquerle, Davide Di Prima, Tiziana e Pier Carlo Cortese, Gianmarco Ghisolfi, Thomaz Lima Mayer, Nuno Ramalho, Tiliana Begali, Tristan Depauw, Massimo Innocenti, Fabio La Fornace, Juliano e Patricia Carraro, Brites Aguiar e Raffaella Trabucchi.

Aromas do Vinho

Muita gente, mas muita gente mesmo, acredita que os aromas do vinho são uma farsa snobe e até arrogante. O que muita gente não sabe é que tudo isso pode ser provado cientificamente. As substâncias presenteso benzaldeído, laranja do citronelol e assim por diante. O importante é dizer que são várias substâncias aromante que tudo isso é provar sempre vinhos diferentes, provar na mesma ocasião vinhos de castas e regiões produtoras diversas. Mas acredite, este mundo maravilhoso de aromas existe!

terça-feira, janeiro 20, 2009

Tampas de rosca passaram no teste dos 10 anos

Sobreiro, árvore da família do Carvalho de onde se tira a casca de cortiça de 9 em 9 anos. Os australianos insistem na tampa de rosca e muitos produtores garantem que o vinho fica bem melhor do que fechado com a rolha de cortiça. Em conversas com amigos a cortiça e a tradição sempre ganham. Muita gente diz que rolhas sintéticas e tampas de rosca (screw caps) servem muito bem para vinhos jovens. Apesar disso cada vez mais produtores do novo mundo aderem esses novos métodos em seus vinhos. O Penfolds Grange, por exemplo (o maior vinho da Austrália) utiliza a cortiça, mas isso é bastante compreensivo, os novos métodos precisam ser totalmente testados antes de servirem para tapar uma garrafa de um vinho que vive em plena forma mais de 30 anos. Dizem que garrafas com cerca de 10 anos fechadas com screw caps já foram abertas e os vinhos estavam perfeitos. Talvez dentro de 20 anos teremos grandes vinhos utilizando a nova tecnologia, mas o prazer de usar um saca-rolhas não deve acabar tão cedo. Portugal, o maior e melhor produtor de cortiça do mundo, já investiu em campanhas para não perder mercado e tem dado certo. Por outro lado países como África do Sul, Austrália, Nova Zelândia e (em parte) os Estados Unidos já conseguiram a confiança dos seus consumidores nas novas tecnologias. Vinhos em caixas tipo leite longa vida, latas e outros métodos também são utilizados mundo afora, mas as rolhas sintéticas e tampas de rosca lideram a preferência. O ponto fraco da cortiça é o ataque de fungos e bactérias que liberam uma substância química chamada tricloroanisol provocando um cheiro bastante desagradável, popularmente chamado bouchonné. O problema maior é que muitas vezes este odor não é tão forte e o consumidor que não tem um nariz experimentado, não detecta o problema (aliás o único motivo que permite a devolução de um vinho em um restaurante é se ele estiver estragado) passa a evitar aquela marca de vinho com a ideia de que o vinho é ruim, quando na verdade ele está estragado. Normalmente 5% dos vinhos apresentam esse problema.

quinta-feira, janeiro 15, 2009

Impostos Malucos

Ontem escrevi sobre a queda na produção francesa e os impostos absurdos cobrados no Brasil. Dois comentários me animaram a bater mais uma vez nessa tecla. O Cristiano do blog vivendovinhos e um outro anônimo. Os dois concordam com o absurdo dos impostos e assim como eu não alimentam muitas esperanças em mudança. Para revoltar ainda mais os consumidores digo com toda certeza, pois conheço diversos produtores de vinhos da Europa, os vinhos que saem das vinícolas custando para os importadores cerca de 15 euros, são vendidos aqui por cerca de 75 euros. É a pura verdade, 75 euros. Algumas importadoras trabalham com uma margem de lucro menor e vendem um pouco mais barato, mas é só um pouco mais barato. Só pela importação o governo fica com 80% do valor, depois vem o frete e os impostos locais, depois vem o custo de venda que inclui caixinha para muitos pontos de venda e restaurantes. Aliás ganhar uma adega novinha para 80, 100 garrafas é bastante comum entre os restaurantes. É só pedir para o importador e ele dá. Dá? claro que não, nós é que pagamos! Além do mais o vinho não é problema de saúde pública. Quantos alcoolatras voce já viu com uma garrafa de vinho na mão? O Grande estudioso Ibn Sina (Avicena) que viveu de 908 a 1037 e estudou e praticou a medicina, era um grande filósofo persa. Ele deixou essa frase: "O vinho é o amigo do moderado e o inimigo do beberrão" O vinho é um companheiro das refeições não serve para bebedeira, em muita quantidade estufa, não desaparece como os destilados nem tem o efeito diurético da cerveja que permite uma nova rodada após cada ida ao banheiro. Vamos nos indignar!

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quarta-feira, janeiro 14, 2009

Itália passa a França e é o país que mais produz vinhos no mundo.

Enquanto a produção e consumo mundial cresce, o país mais tradicional da viticultura mundial perde posição. Além da produção o consumo também está caindo. Em 2008, a França perdeu o lugar para a Itália. Foram 552 milhões de caixas de vinhos elaborados na Itália contra 485 milhões na França. Um pouco se deve a baixa produção na safra de 2008 em Bordeaux, Bourgogne e Languedoc o que não aconteceu na Itália, que em geral colheu uma boa safra. Mesmo assim o IWSR (International Wine and Spirit Record), que fez o estudo a pedido dos organizadores da Vinexpo (principal feira do setor que acontece a cada 2 anos em Bordeaux), diz que a França não deve recuperar o posto pelo menos até 2012. A única noticia boa para os franceses é que eles continuam sendo os líderes em valores exportados com 6,7 milhões de euros, contra 4,4 milhões dos italianos. No Brasil, com os impostos que colocam o vinho no mesmo patamar de todas as bebidas destiladas (o que não acontece na maioria dos países europeus) a França está em quinto lugar na preferência e terceiro entre os europeus. Chile e Argentina são beneficiados pelos impostos mais baixos e ocupam o primeiro e segundo lugar. Depois vem a Itália com 16,6 %, Portugal com 11,8 e França com apenas 3,6%. Em 2002 a França tinha quase 10% do mercado brasileiro. Dados da IWSR (www.iwsr.co.uk) e UVIBRA (sobre os números do mercado Brasileiro até setembro de 2008 www.uvibra.com.br). Que tal baixar os impostos dos importados, diminuir os impostos locais dos nacionais e facilitar o conhecimento da bebida alcoólica mais saudável do planeta.

Vinha Grande - Douro 2022 - Casa Ferreirinh

Cereja, bergamota, violeta...  na boca tem corpo médio, taninos macios, sensação de frescor, sabor repetindo o nariz, mas com um toque de e...