terça-feira, dezembro 23, 2008

Safra ruim e bons vinhos. 3 Brunellos que precisam chegar ao Brasil


2002 foi um desastre para a viticultura europeia em geral, mas bons produtores diminuem a produção mas não perdem a reputação. Engarrafar e vender, só se estiver perfeito.
Quem conhece os Brunellos sabe que são vinhos únicos. Não se encontra nada parecido em nenhum outro lugar do mundo. La na Toscana dos Chianti e Supertoscanos, quem brilha mais forte é o Brunello. Os escândalos de vinhos adulterados com outras castas provocou uma certa desconfiança pelo mundo, mas estes 3 são de assinar em baixo.
Falo do biodinâmico Cupano http://www.cupano.it/ ,
do La Fornace
http://www.agricola-lafornace.it

e do Inoccenti http://www.innocentivini.com/
Os vinhos possuem as características dos bons Brunellos e o potencial de envelhecimento quase indeterminado.
Provei os vinhos na Europa e espero ansioso por eles no Brasil.

Brunello di Montalcino La Fornace - 2002


Vinho bastante concentrado, cor rubi brilhante indo para o violeta. No nariz cereja, pêssego, mirtilo, ameixa e especiarias. Na boca um pouco quente (o vinho com 6 anos e meio é uma criança) os taninos mostram qualidade para envelhecer por muitos anos. Final bastante longo.

segunda-feira, dezembro 22, 2008

Valery não pensou duas vezes. Conto





Numa tarde de sol na Borgonha, um grupo de apreciadores de vinho com caderneta e canetas nas mãos entrou na loja de Valery. Era uma loja de um Domaine familiar que faz vinhos de qualidade há mais de 40 anos. Valery é jovem, cabelos louros quase brancos, olhos azuis e cara de bom moço. O nome é Paul Valery, em homenagem ao poeta francês. Embora Valery não fizesse nem poesia nem prosa, vivia citando trechos do famoso que lhe emprestou o nome. Os homens entraram e foram logo dizendo: "somos críticos especializados de uma revista alemã". Com educação e cinismo Valery começou a servir os copos e ouvir comentários.
Resolveu servir utilizando um decanter e não mostrava o rótulo de nenhum vinho. Percebeu que os comentários e anotações não tinham muito fundamento. Respondeu algumas perguntas, escutou elogios e disse quase sem pensar: "tenho um vinho especial que ainda não foi colocado no mercado, mas um Master of Wine veio aqui e disse que está entre os melhores vinhos que tomou".
Empolgados com a afirmação os críticos da tal revista alemã pediram encarecidamente que Valery trouxesse a garrafa. Valery pediu licença e disse que iria ver se era possível. Entrou na cave e pegou uma garrafa de um Bourgogne Passe-tout-grains (o mais barato da Borgonha onde se utiliza inclusive a variedade Gamay no corte) retirou o rótulo e levou aos visitantes.
Antes disse que o vinho precisava ser decantado. Trabalho feito começaram as provas. Suspiros de prazer e canetas dançando para anotar qualquer detalhe. O mais velho do grupo disse: "voce tem uma jóia nas mãos rapaz, muito obrigado."
Mais alguns goles (cuspir este vinho nem pensar) e os alemães foram embora cheios de orgulho pela raridade provada. Raridade aliás que custa 3 euros ali mesmo. Me aproximei de Valery e perguntei: "Fez o que eu estou pensando?"
Valery balançou a cabeça num gesto afirmativo e disse: "Um dia o grande Paul Ambroise Valery escreveu: "A ação é uma loucura passageira".

Grandes vinhos para grandes ocasiões - Mendoza - Argentina


Achaval Ferrer 2002 - Finca Altamira

O responsável por este que já está sendo considerado o melhor vinho argentino é o italiano Roberto Cipresso. Ele utiliza 95% de carvalho francês (100% novo) e 5% de carvalho americano, e não tem prazo fixado para o envelhecimento. Neste 2002 foram 14 meses.Tem características de um vinho de Bordeaux.É profundo, cor púrpura opaca. No nariz mistura amora, frutas negras, como cereja. Um toque mineral, lápis e algumas notas florais. Na boca é suave e volumoso com toques de especiarias, mirtilo e cassis. O carvalho trouxe uma certa doçura. O tanino da estrutura, mas é muito bem integrado. Ótimo potencial de envelhecimento.

domingo, dezembro 21, 2008

Grandes vinhos para grandes ocasiões - Supertoscano

Perbruno 2005 - Toscana IGT - I Giusti e Zanza


Vinho 100% Syrah, uma explosão de aromas! Cor rubi, boa intensidade, mostra a boa concentração do vinho. No nariz, café, Baunilha, cereja, cassis, mirtilo, especiarias, um festival de aromas.
Na boca o sabor de frutas negras maduras. Acidez e taninos muito bem equilibrados mostram que o vinho tem vida longa. Vinho elegante. Final persistente com notas de especiarias. Importado pela Cantu.

Retrospectiva

Entrevista Davide Di Prima


Davide di Prima é sócio proprietário da Azienda Di Prima Vini (www.diprimavini.it), é sem dúvida nenhuma um exemplo da evolução dos vinhos Sicilianos. Este ano o Syrah produzido por eles recebeu medalha de prata no concurso Syrah du Monde, na França.

Na foto Gaspare, Giuseppe, Davide e Lícia.

quantos anos sua família produz vinhos?

A nossa família começou a produzir vinho em fase experimental em 1995, mas os primeiros vinhos engarrafados foram em 99 (o pepita branco igt sicilia 99 e o villamaura igt sicilia 1999).

Quais mudanças tecnológicas ocorreram durante este período?

Em 2006 ampliamos a capacidade comprando novos equipamentos de controle de temperatura na vinificação dos tintos. São equipamentos sofisticados que controlam a temperatura em todas as fases da vinificação que leva de 18 a 20 dias.

Quais foram as principais mudanças na qualidade dos vinhos durante o período?

Não tivemos nenhuma mudança substancial desde a primeira vinificação, no entanto esses anos foram importantes para aumentar o nosso conhecimento.

Hoje os vinhos são muito diferentes daquelas primeiras safras?

A qualidade do vinho depende sobretudo dos vinhedos, do estado deles e do modo que são cultivados. Conquistamos seguramente, maior experiência na vinificação e na gestão.

Dos vinhos italianos que participaram do concurso Syrah du Monde, na França, a maioria era da Sicília. Se trata de um terroir ideal para a Syrah?

Sim, a Sicília é um dos melhores terroirs para a produção dos Syrah. Existe uma história que diz que a sirah é um vinho indigena e que deu o nome a cidade de siracusa, na Sicilia. Syrah-cusa.

Os vinhos sicilianos cresceram muito de um tempo pra cá, qual a explicação?

O vinho siciliano desde o inicio dos anos noventa teve uma grande explosão sobretudo porque mudou a mentalidade dos produtores que começaram a primar sobretudo pela qualidade. Orientando o cultivo do vinhedo com produção mais baixa por planta, mais tecnologia na vinícola e consultoría de enólogos prestigiosos.

O trabalho na Sua vinícola é 100% familiar?

Avinícola é tocada por todos os componentes da família. Mas temos um consultor externo: um agrônomo e um enólogo. Somos uma familia de múltiplos interesses, eu depois da formatura em direito, pensei que era o momento de transformar a uva (que vendíamos na cantina da região) em vinho e aproveitando a experiência do meu pai, Gaspare, minha mãe Lícia, escritora, meu irmão Giuseppe, cirurgião, minha cunhada psicóloga e da minha mulher, Valéria, professora. Hoje eles me apoiam junto com os pequenos sobrinhos Gaspare e Giovani e a minha pequena Alice.

Qual é o segredo para se fazer um bom vinho?

A experiência me ensinou que o bom vinho se faz primeiro no vinhedo e depois na vinícola.As uvas devem ser cultivadas com a intenção de se fazer um grande vinho, reduzindo a produção por planta e cuidando dos vinhedos em todas as fases.

O que acha das rolhas sintéticas e dos Screw Caps?

As alternativas a cortiça são bastante interessantes. mas no momento não utilizo nos vinhos que produzo. Na realidade as rolhas sintéticas são boas sobretudo para os vinhos de vida curta, para se beber jovem, logo após o engarrafamento. Os meus são vinhos que melhoram com o tempo, o amadurecimento em garrafa é muito importante, por isso escolho a cortiça.

sábado, dezembro 20, 2008

Grandes vinhos para grandes ocasiões - Bordeaux


Château Grand Bert Grand Cru - Saint-Emilion - 2005

Se o vinho já era bom no ano considerado a safra do século é melhor ainda.
Feito com 85% Merlot e 15% Cabernet Franc o vinho tem cor rubi profunda. No nariz, aromas de cereja, framboesa, morango, cassis e flores do campo. Na boca é um vinho elegante, com taninos perfeitos para envelhecer com categoria. Notas de baunilha e um final longo, adocicado e amadeirado.
Chegará em fevereiro importado pela Mercovino www.mercovino.com.br

Vinha Grande - Douro 2022 - Casa Ferreirinh

Cereja, bergamota, violeta...  na boca tem corpo médio, taninos macios, sensação de frescor, sabor repetindo o nariz, mas com um toque de e...