sábado, dezembro 06, 2008
sexta-feira, dezembro 05, 2008
Crios Malbec 2005 - Susana Balbo - Mendoza - Argentina
quinta-feira, dezembro 04, 2008
Gino Pane e Vino

Gino já havia terminado o seu trabalho na vinhas. Era uma sexta-feira e Signor Cláudio já se aprontava para passar o final de semana na montanha.
Gino tem mais de 50 anos, cabelos brancos, bochechas roxas e barriga pra lá de saliente. Tem o habito de sentar ao lado das barricas e pensar na vida, sonhar e relembrar cada vindima passada nestes quase quarenta anos de trabalho. Lembrou do terrível ano de 2002 em que nenhuma garrafa foi colocada no mercado, lembrava dos filhos que trabalham nos Estados Unidos e da mulher (quela ingrata!) que o deixou havia 20 anos. Entre um pensamento e outro e um copo de vinho Gino pegou no sono. Sigror Cláudio bem que gritou para se despedir, mas como não obteve resposta fechou a casa, fechou a adega e partiu.
Horas depois Gino acordou dos sonhos e pensou em ir pra casa. Levantou-se, foi até a porta, girou a maçaneta e nada. Olhou para o relógio e já passava das 7 da noite. Antes de entrar em desespero Gino tomou um copo de vinho. Depois outro. Pegou um pedaço de pão, que por sorte havia colocado lá pela manhã quando alguns turistas visitaram a adega e degustaram os vinhos.
Não demorou e Gino adormeceu de novo. Foi assim também no sábado, e acredite! no domingo também.
Segunda-feira bem cedo quando outros trabalhadores chegaram, logo sentiram falta do falante Gino. Procura aqui, procura ali e lá estava Gino com as bochechas mais rochas ainda, uma taça na mão e um pedaço de pão sobre a barriga. Giuliano começou a rir sem parar e chamou os outros trabalhadores. Com todo o burburinho Gino acordou. Percebeu que era alvo das gozações e não se deu por vencido: "com um bom vinho e um pedaço de pão o que mais pode querer um homem".
quarta-feira, dezembro 03, 2008
Herdade dos Grous Reserva - Tinto 2004 - Regional Alentejano - Portugal
A Herdade dos Grous é uma adega hotel, construída para o agro-turismo. Um empreendimento luxuoso administrado pelo enólogo Luís Duarte. Os turistas tem a oportunidade de conhecer a agricultura biológica das vinhas, pomares e olival. O vinho é feito com Alicante Bouschet, Syrah e Touriga Nacional. Foram apenas 7 mil garrafas. As vinhas são jovens, mas o trabalho de altíssimo nível compensa o que poderia ser um vinho com pouca estrutura pela alta produção. Aliás a produção não pode passar nunca dos 3 mil quilos por hectare para justamente elevar o nível das uvas.
O vinho é concentrado, cor rubi profunda. Aroma intenso fumados, caixa de charutos, frutas negras, chocolate amargo e especiarias. Na boca é elegante, macio, taninos finos e um ótimo final cheio de especiarias e pimenta branca.
Importadora Épice www.epice.com.br
terça-feira, dezembro 02, 2008
Herdade do Esporão Reserva Tinto 2005 - Reguengo de Monsaraz - Alentejo - Portugal

Vinho conhecidíssimo de uma das mais confiáveis adegas de Portugal. As castas foram vinificadas separadamente: Trincadeira, Aragones e Cabernet Sauvignon. Cor rubi, transparente. No nariz frutas vermelhas maduras, cereja, cassis e framboesa, além de especiarias. Na boca é um vinho bastante encorpado e equilibrado. Nota-se um pouco de torrefação e coco queimado (possivelmente pelo estágio de um ano em carvalho americano). Os taninos mostram que o vinho promete longa vida. O final é longo como era de se esperar. Antes de ser comercializado passou mais um ano (além do estágio em barricas) na garrafa. Tem 14,5% de álcool. Quem tiver a oportunidade de visitar esta vinícola em Reguengos de Monsaraz, perto da Espanha e perto de Évora, não deixe de ir. O restaurante da vinícola também é bastante conhecido.
segunda-feira, dezembro 01, 2008
Josephine, la dou-dou e o faro infalível - Conto
Cães que farejam trufas são comuns em toda a Europa, mas essa história é diferente, só existe uma.
Josephine é uma jovem de pouco mais de 30 anos maravilhosa. Em todos os sentidos, simpática, bem humorada e fisicamente também. Olhos verdes, rosto perfeito e uma pele branca de deixar qualquer modelo de industria de cosméticos com inveja. Mas Josephine tem também manias. Tem Dou-dou e um vinhedo pra lá de espetacular. As vinhas são antigas (mais de 70 anos) as castas são as típicas do Languedoc e o modo de cultivo é o da intuição. Quando falo intuição é a intuição de Josephine e de Dou-dou. Dou-dou é uma cadela perdigueiro com um faro espetacular (segundo Josephine) e na língua francesa dou-dou é um boneco ou bicho de pelúcia que as crianças usam como companheiros de sono. Esse papel também era exercido por Dou-dou. Dormia com Josephine todas as noites para inveja dos marmanjos da região. Josephine é viúva. Se casou com um homem 35 anos mais velho que ao invés de aproveitar a vida nos vinhedos trabalhava no mercado financeiro até que o coração não aguentou. Os vinhos já estavam descansando nos barris e esperavam a hora do engarrafamento. Todos os dias Josephine e Dou-dou entravam na sala das barricas, ela pegava um pouco do vinho, cheirava e colocava um pouco em uma tigela. Josephine cheirou, provou e aprovou. Dou-dou, com seu nariz infalível cheirou, baixou a cabeça e foi embora. Eu com perplexidade perguntei: e então, acabou o estágio em madeira? Mais perplexo ainda escutei Josephine: Por mim está bom, mas Dou-dou acha que não é hora. Fizemos o mesmo teste durante 3 dias. No quarto dia Dou-dou, do alto de sua sabedoria canina cheirou o vinho, deu uma pausa, cheirou de novo, balançou o rabo e pulou no colo de Josephine.
-Merci ma chéri, on commence aujourd´hui même.
(obrigada minha querida, a gente começa hoje mesmo).
Provei o vinho e realmente me parecia bom, nada que me faça pensar que há 3 dias não estaria da mesma forma.
sexta-feira, novembro 28, 2008
Gianpaolo o Caçador de Turistas
No principal café da única praça de um vilarejo piemontês Gianpaolo senta-se pela manhã, abre o jornal, pede um expresso e espera.
Gianpaolo é um típico italiano boa pinta, alto, magro, bem barbeado, cabelos negros caminhando para o grisalho e os olhos azuis que não cansam de reparar em volta.
A falta de emprego no ramo de administração de empresas empurrou Gianpaolo para o ramo do turismo. Bem, é melhor parar por aqui, os turistas estão chegando. Japoneses, americanos, ingleses, canadenses e até alguns brasileiros descem do ônibus e correm para o banheiro, pedem café, conversam e procuram informações. Um guia Parker aparece nas mãos de um turista americano. É a deixa para Gianpaolo entrar em cena: procuram bons vinhos?
-Gostaríamos de visitar alguma vinícola na região?
Estão falando com a pessoa certa, prazer em conhecê-los Gianpaolo Di Ricco.
A partir daí outros turistas se juntaram a Gianpaolo e o dia estava garantido. Foram várias visitas entre copos e mais copos de Barolos, Barbarescos, Dolcetos e até um almoço com vista para vinhedos centenários.
15% do que os turistas consumiam era de Gianpaolo. Tiravam fotos com ele, marcavam encontro para o dia seguinte e não faltavam convites para visitá-los em seus países.
Estava tudo perfeito não fosse a beleza de Gianpaolo. Uma inglesa de nome Karine aproveitou a empolgação do marido entre um copo e outro e conversava em voz baixa com o italiano. Foi o suficiente para o marido se aproximar, balançar a cabeça para Gianpaolo e se retirar. Karine foi atrás dele, assim como os americanos, japoneses e canadenses. Os brasileiros não se abalaram, se aproximaram de Gianpaolo e perguntaram: o que houve?
Sou italiano e os ingleses não entendem isso. Falávamos de assuntos familiares, filhos cachorros, minha mulher grávida, o clima na inglaterra...
A mulher de um dos brasileiros não se conteve: se você fosse baixinho, gordo e careca não haveria problema.
Esse tipo de problema não, mas estaria solteiro até hoje.
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